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 Viver é sonhar
Cleide Canton
Brilha no amanhecer
a expectativa de ser:
Eu sou
e tu és.
Eu sou o pirilampo
cujo piscar enxergas vez em quando.
Tu és o sabiá
que encanta com teu canto.

Eu sou a lua
que desaparece no nevoeiro.
Tu és o sol
cujo calor permanece o dia inteiro.
Eu sou a brisa
que deixa no rosto a suavidade.
Tu és o vento
a tropeçar na própria tempestuosidade.

Eu sou a água
insípida, mas que mata tua sede.
Tu és o vinho
que inebria e prende na tua rede.
Eu sou o silêncio
que te induz a repensar.
Tu és a melodia
que faz sorrir e faz chorar.

Eu sou a prática
muito fácil de se acompanhar.
Tu és a teoria
que complica antes de ensinar.
Eu sou a meta
que se atinge na constância.
Tu és o plano
que se prende à circunstância.

Eu sou a ciência
baseada em princípios comprovados.
Tu és a arte
que não se rende a contornos delineados.
Eu sou o peixe
que se deixa enganar.
Tu és o anzol
que não escolhe o que fisgar.
Eu sou a terra
que sempre encontras no mesmo patamar.
Tu és o mar
cujas ondas estouram em qualquer lugar.
Eu sou a vida.
Tu és o sonho.
Viver é sonhar.

SP, 26/06/2004
12:15 horas
Proibida a cópia sem
autorização da autora
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