VIDA
Sandra Ravanini


Eu vi a vida lutando pela vida,
vi a vida face à face com a morte,
vi a vida brotando da ferida,
e, em vida, uma vida jogando contra a sorte.

 

Vi a sombra da morte ao lado do leito,
e a luz da vida recolhendo seus seixos,
a seiva suprema adentrando o peito,
enganando o breu, rodeando o eixo.

 

Vi parte de mim na vida que se escorria,
quisera eu poder voltar no tempo,
pedaços de mim em lágrimas caíam,,
pudera Deus eu amenizar o sofrimento.

 

Vi a vida frágil, tão pequena quanto passageira,
impotente em sua obra li os lábios

em derradeiro suspiro,
e tal era a luta na febre, em medida derradeira,
que os prantos levarei para meu impotente retiro...

 

e vi a filha da vida em seu triste lamento,
e a sina mostrando o caminho a trilhar,
e a grande força da fé pedindo ao tempo,
e vi a morte deixando mais um dia a vida ficar.

 

 

 

MORTE

Cleide Canton

 

Eu vejo a morte rondando, a espreita,

no tênue fio desta vida em agonia

acompanhando o corpo que se deita

despedindo-se da dor, sem nostalgia.

 

Fecham-se os olhos  sem cor para a beleza,

para o encanto de viver um só momento.

Vestígio algum de riso ou de tristeza...

Suspiros neutros, vazios, nenhum lamento.

 

Eu vejo a paz tão grande, a esperança,

a recompensa, enfim, por tanto empenho,

a luz bendita onde a perspectiva alcança

no encontro das retas que ainda desenho.

 

Eu vejo a força revestida de alvura

nas vestes mortais que ora se avizinham

pois nada é fim, tudo é nova aventura

em outros reinos que no infinito se aninham.

 

SP, 21/03/2006

00:40 horas

   FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA

 

 

Página editada por Cleide Canton em 11 de abril de 2006

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