VIAGEM
Autora: Cleide Canton Garcia


Ontem percorri uma longa estrada.
Era noite, quase madrugada.
Sorri ao lembrar-me
de uma velha frase
tão banal, tão real:
"A vida é uma longa estrada"...

No começo, sorriso e emoção,
Uma certa inquietação.
Asfalto e céu.
No horizonte, a escuridão.
Os faróis baixos clareiam as faixas
brancas, brilhantes, limitativas...
Fora delas, acostamento,
p'rá mim, marginalização.

Separando a dupla mão,
traços truncados.
Ultrapasso à vontade.
Sigo em frente. De repente,
um veículo barra a passagem.
Perigo!
Olho o chão, reduzo a velocidade
e sondo, impaciente, a contra-mão.
Olho o acostamento.
Será a solução?
Por ali também se passa
mas é marginalização!


Resolvo aguardar.
Mais adiante ultrapasso confiante
e sigo a estrada, enluarada.
Paro um pouco pois estou cansada.
Relembro que parei também na minha jornada.
Reencontro a vontade, sigo e consigo.

Bem mais adiante
os clarões riscam os céus.
O vento balança as árvores
e cobre de folhas o chão.
Os pingo começam a cair
dificultando a visão.
Na realidade, as lágrimas lavam os olhos
e abrem o coração.




Chove mais forte,
quase não vejo as brancas limitações.
Olhando bem, já não estão tão brancas.
Que decepção!
O vai e vem das palhetas ajudam.
Agora,
acostamento e estrada são um só.
Nada de marginalização!

O carro anda e anda ligeiro.
Sai da pista, sai da vista,
volta à pista, volta à vista.
Parar? Nunca!
Então sigo.
Questão de perseverança.



De fato, chuvas custam a passar.
Mágoas também...
Bem mais além, a calma.
Não se vê mais a lua
mas luzes iluminam a rua.
Chego cansada.
Valeu a pena a corrida!
Valeu a pena a jornada!




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Proibido a cópia sem autorização da autora
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Página editada em 12/01/2003.


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