Vejo você
no frescor da manhã
que abre as portas do dia,
para que eu me sinta e
sorria
a tudo aquilo que a vida me
oferece.
É o ensaio da minha primeira
prece.
Vejo você
no sol que desponta em
altivez,
dourando a visão do
horizonte,
aplaudido pelas pétalas das
minhas flores,
animando a festa dos
pássaros canores
que bailam para olhares
desejosos
de descobrir, da vida, todas
as cores.
Vejo você
em cada hora em que o
relógio me alerta
que o tempo passa sem dar
voltas,
escrevendo o livro da
existência
com nuances da
minha persistência,
na procura do belo que não
se esgota
nos feitos, nas razões e
suas conseqüências.
Vejo você
na tarde que definha morna e
mansa,
pelos umbrais até onde a
vista alcança,
no ato de despedida do
astro-rei
que abraça a terra e depois
descansa.
Vejo você
no bailado das luzes em
cadência
que brincam de iluminar a
noite,
tentando imitar a beleza das
estrelas
na humildade de jamais
comprometê-las.
Vejo você
no vento que força o dançar
das ramas,
assoviando canções novas a
cada vez
em que busco repostas
impossíveis
e me sinto prisioneira de
porquês.
Vejo você
quando o sono me toma e
adormeço,
na prece de paz em que
agradeço
por mais um dia bem vivido
se tantos ainda não
conseguiram perceber
a beleza que reside
no novo amanhecer.
SP,
06/08/2006
22:20 horas