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Um novo amanhecer
Cleide Canton
Podem parecer perdidos no
nada
meus olhos que fitam o
horizonte
querendo descortinar
os mistérios que povoam a alma,
como se esse descobrimento, por si só,
trouxesse o alento esperado,
apagasse as cicatrizes que, vez em quando,
ainda mancham de tristeza
o
desenrolar dos meus sonhos
e
desviam o rumo meus passos
para atalhos desconhecidos...
A
coragem que me acoberta
não é a força da sua própria essência
mas a ausência do medo.
A
esperança que me estende as mãos,
um tanto encoberta e ameaçada,
ainda se faz capaz de tornar-se presente
mesmo que disfarçada
ou escondida num ramo de flores,
no pequeno espaço a refletir
raios de sol que ainda conseguem
penetrar o meu espaço
ou no som de uma melodia qualquer
que também já teve o seu significado.
Pode parecer insondável
o
que passeia pela minha mente cansada
ou a única lágrima atrevida
a demonstrar uma tolice
qualquer
alojada num canto escondido do
peito
e
que arranha, numa tola discrição,
os alicerces das minhas bases existenciais.
Pode parecer sem sentido
o
sorriso que se colocou na cena melancólica
criada pela busca de algo apenas delineado,
esperando que se lhe acrescente
o
colorido das metas e objetivos,
ciente de que
mudanças haverão de ocorrer
para que suceda
um novo amanhecer.
SP, 06/03/2005
15:54 horas
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gentilmente cedido por Glória Guedes
Página editada em 18/03/2005