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ÚLTIMOS ACORDES
Cleide Canton
Cala-se a magia da canção
nos últimos acordes
do meu violão.
A noite se despede do crente
enquanto estrelas lutam
para ainda brilhar.
Vestem-se de Dalva
(querem-lhe o lugar)
e nada adianta
como não se repõe
a rosa roubada da planta.
Recolhe-se, a vida,
no sono teimoso
que não quer chegar
mas não dá tréguas
às sete léguas
dos sonhos
que lutam por ficar.
Deita-se a Rosa
sobre as sonoras cordas
que não vão mais vibrar
pois ventos levaram para longe
o carinho das mãos
que jamais voltarão a tocar.
Chora a noite,
morre a canção, agoniza o luar.
Desbota o rosa da rosa
como o brilho do meu olhar.
SP, 01/11/2004
22:50 horas
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