UBI SUMUS TERRARUM

Cleide Canton

     

       Realmente, meus amigos, encontramo-nos numa situação caótica onde as conseqüências da negligência do poder público e a inércia do nosso povo aviltado, dobrado, martirizado e crucificado mas ainda bondoso, tolerante e esperançoso, impulsionam a situações drásticas, emergenciais, de procurar saída combatendo as conseqüências do mal ou do problema, ao invés de buscar suas causas. Corta-se o mal pela raiz e não pelos seus galhos ressequidos e suas flores putrefeitas. Sabemos as causas, não é? Somos tolerantes mas não ignorantes. Até quando vamos agüentar? 

   

       Até quando vamos ficar no "Deus, olha os filhos teus". Parece-me enxergar Deus sorrindo e respondendo: "Filho, a ajuda que pedes já te dei nas tuas sementes; basta que as faça germinar".

   

    O homem de hoje luta pela  "sua" sobrevivência e grita somente quando o problema atinge a "sua" pele. Faz um discurso maravilhoso, vai à mídia sem mesmo desconfiar que está sendo usado pelo IBOPE, organiza passeatas, implora pelo término da situação. Mas ainda não vi passeatas para prevenir, para conscientizar os demais sobre o que poderá acontecer e que é óbvio...

   

       Esperamos demais e nos contentamos quando ouvimos dizer que a situação é mundial ou que o problema era maior no governo anterior. Dizemos "ele está com a razão" quando um maluco qualquer diz "estupra mas não mata"... Aceitamos isso!!! Seria o mesmo que dizer "eu só roubei mas não matei" como se circunstâncias menos agravantes fossem, por si só, capazes de revestir o crime de uma roupagem mais nobre.

   

     "Ubi sumus terrarum?"

   

     Quando é que deixaremos cair a venda dos olhos e o egoísmo do coração? Quando a situação estiver tão extremada que apenas restará uma saída: o sangue jorrado e vidas ceifadas? Teremos que esperar por heróis mortos ao invés de sermos heróis em vida?

   

      Ah, meu Deus! Tende compaixão dos filhos teus!

 

  
 
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Página editada por Cleide Canton em 24/05/2006

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