Realmente, meus amigos, encontramo-nos numa
situação caótica onde as conseqüências da negligência do poder
público e a inércia do nosso povo aviltado, dobrado,
martirizado e crucificado mas ainda bondoso, tolerante e
esperançoso, impulsionam a situações drásticas, emergenciais,
de procurar saída combatendo as conseqüências do mal ou do
problema, ao invés de buscar suas causas. Corta-se o mal pela
raiz e não pelos seus galhos ressequidos e suas flores
putrefeitas. Sabemos as causas, não é? Somos tolerantes mas
não ignorantes. Até quando vamos
agüentar?
Até quando vamos ficar no "Deus, olha os filhos teus".
Parece-me enxergar Deus sorrindo e respondendo: "Filho, a
ajuda que pedes já te dei nas tuas sementes; basta que as faça
germinar".
O homem de hoje luta pela "sua" sobrevivência e
grita somente quando o problema atinge a "sua" pele. Faz um
discurso maravilhoso, vai à mídia sem mesmo desconfiar que
está sendo usado pelo IBOPE, organiza passeatas, implora pelo
término da situação. Mas ainda não vi passeatas para prevenir,
para conscientizar os demais sobre o que poderá acontecer e
que é óbvio...
Esperamos demais e nos contentamos quando ouvimos dizer
que a situação é mundial ou que o problema era maior no
governo anterior. Dizemos "ele está com a razão" quando um
maluco qualquer diz "estupra mas não mata"... Aceitamos
isso!!! Seria o mesmo que dizer "eu só roubei mas não matei"
como se circunstâncias menos agravantes fossem, por si só,
capazes de revestir o crime de uma roupagem mais nobre.
"Ubi sumus
terrarum?"
Quando é que deixaremos cair a
venda dos olhos e o egoísmo do coração? Quando a situação
estiver tão extremada que apenas restará uma saída: o sangue
jorrado e vidas ceifadas? Teremos que esperar por heróis
mortos ao invés de sermos heróis em vida?
Ah, meu Deus! Tende
compaixão dos filhos
teus!