SORRI,
FILHO MEU!
Cleide Canton
Sorri, linda criança!
Tenta, titubeia mas alcança
o mundo de maravilhas que vês!
Abre teus olhinhos de esperança
e abraça a vida como ela te parece,
enquanto, por ti,
eu redobro minha prece.
Sinta a brisa que te toca
mansa,
o sol que se levanta, rei,
o perfume das flores vivas,
o chão firme em que pisas,
e o calor do meu abraço.
Sonda o teu espaço!
Não permitirei que deixes
o desfrute
para o dia seguinte,
pois é incerto o amanhã, embora creia
que minha luta não será vã.
Canta, filho meu!
Mostra-me o esplendor da tua alegria
pois já não tenho essa companhia.
Quero ouvir teus gritos felizes,
bálsamo para minhas cicatrizes.
Dá-me tua mão, criança,
pois ainda são curtos e indecisos
os passos que tranças.
Não tenhas pressa, anda devagar.
Eu te soltarei quando puderes
sozinho caminhar.
e te deixarei livre quando souberes amar.
Dorme, meu anjo
e sonha com o amanhã feliz.
Ver-te, assim,
sereno, quase sorridente,
no teu berço macio e quente,
recupera as minhas forças e a minha fé.
Meu dever é deixar para ti
um chão que ames e de que te orgulhes
e valores essenciais, tão esquecidos,
para que te encaixes entre os bons,
os puros, os justos, os sensatos.
Tenho tanto ainda a fazer!
Que Deus me permita
jamais esmorecer.
SP, 05/06/2006
18:00 horas