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    Assusta-me o privilégio de apresentar este trabalho.

    No entanto, a ousadia é maior que o medo.

    Dizer de um perfeito envolvimento

    entre os sonhares de dois grandes poetas é pouco.

    Dizer da plena sintonia, da profundidade,

    das visões claras e coesas, dos recursos metafóricos,

    da afinidade com a perfeição que um soneto exige

     para ser declarado "soneto"

    é ainda pouco para retratar a beleza

    que se mostra iluminada e coroada

    nos versos de António Barroso (Tiago) e Regina Coeli.

    Abençoado Netuno que, imitando Moisés,

    abriu os oceanos para este encontro de almas

    que hoje nos oferece este enlevo, 

    esta demonstração de amor despretensioso,

    voltado apenas para a beleza

    que advém da busca pela perfeição no versejar.

    Conseguiram, Tiago e Regina!

    É justo que sejam lidos por todos os amantes do soneto

    e por todos aqueles que não o apreciam,

    mas que conseguem dar o valor a tudo que merece ser valorizado.

     

    Tiago escreve:

     

    "Neptuno, deus dos mares, conseguiu

    Secar todo esse mar que nos separa

    E, com habilidade muito rara,

    Dois vastos continentes reuniu".

     

    Regina escreve:

     

    "E o deus dos mares trouxe à realidade

    O mar. E todo um sonho, encantador,

    Adormeceu nos braços da saudade".

     

    Versos abençoados! Que sejam imortalizados!

     

    E digo a eles:

     

    Entre tantas agruras eu me vejo
    perdida aqui, num barco ainda sem rumo,
    que ao ver tanta beleza só desejo
    usar a mesma linha no meu prumo.

     

    Do chão um voo lento então assumo
    a visão bem maior do meu ensejo
    de dar, a quem merece, este meu beijo
    e abraços nestas linhas que resumo.

     

    São versos bem talhados, consistentes,
    repletos de ternuras persistentes
    vagando sob a lua, sem temor!

     

    São versos que rubricam a amizade,
    levando para além da eternidade
    as verdadeiras falas de um amor.

     

    São Carlos/Brasil, 09 de fevereiro de 2014
    22:10 horas

     

    Cleide Canton

     

     

      MEA CULPA

    António Barroso (Tiago) 

     

    Amiga, há tanto tempo não te escrevo

    Que nem ouso rogar o teu perdão,

    Mesmo que, agora, te preste atenção,

    Pedir uma desculpa não me atrevo.

     

    Se, no campo, tivesse achado um trevo

    Com quatro folhas, como é tradição,

    Ia pô-lo, a correr, na tua mão,

    Mostrar minha amizade, com enlevo.

     

    Prometo, na resposta, ser mais lesto,

    Aceito a minha culpa, o teu protesto,

    Mas o meu tempo é curto, é tão escasso!...

     

    Mas amiga, és p’ra mim, tão importante

    Que vou arranjar tempo, doravante,

    Para que se não quebre o nosso laço.

     

    Parede – Portugal (29/01/2014)

     

     

     

    SEM CULPAS

    Regina Coeli

     

    Jamais se há de quebrar o nosso laço,

    Prendendo em nós as fitas da verdade,

    Ainda que doa a mais cruel saudade

    Nascida desse tempo tão escasso.

     

    Não por protesto, se um muxoxo faço

    É pra mudar a dura realidade

    E vencer esta angústia que me invade

    Por não ter o calor do teu abraço.

     

    Quando achares, garboso, esse teu trevo

    De quatro folhas, Tiago, terno amigo,

    Será sorte pra mim... sonhar me atrevo...

     

    Amizade sincera, ó doce abrigo,

    É luar lembrando a lua em branco enlevo,

    Sou a me esquecer... se estou contigo.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 29 de janeiro de 2014.

     

       

     O TEMPO É CURTO

      António Barroso (Tiago)

     

     Minha amiga, é tão bom saber de ti,

     Que está, a minha falta, perdoada,

    Assim, fico com a alma descansada,

    Porque respondeste, e eu não te perdi.

     

    Se, muito mais cedo, eu não te escrevi,

    Foi porque a minha vida atribulada

    Não me permite ter tempo para nada

    E sempre a correr, daqui para ali.

     

    São netos que precisam de assistência,

    Uma mãe centenária, em permanência,

    E ainda os filhos, num vai vem constante.

     

    Apesar de tudo isto acontecer,

    Jamais eu me poderia esquecer

    Dos amigos que lembro a cada instante.

     

    Parede – Portugal  (30/01/2014)

     

     

     

    VAI-SE O TEMPO...

    Regina Coeli

     

    O tempo escorre, vai ele passando

    Por entre os dedos de aturdida mão

    Que o quer pegar, mas pega a solidão

    Que um dia parte... Não se sabe quando. 

     

    O tempo é teia que se vai enredando

    Nas vias desgastadas da emoção;

    Muitos já sentem, outros sentirão

    No tempo um início que se vai findando...

     

    Etérea nuvem que no céu dispersa

    Floridos sonhos, lindas fantasias,

    Será o tempo uma ilusão perversa?

     

    Eu nada sei, apenas que aos meus dias

    Dás-me teu tempo na gentil conversa

    E nos amigos versos que me envias.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 04 de fevereiro de 2014. 

     

     

     

     ABRAÇOS DE ALÉM MAR

    António Barroso (Tiago)

     

    Tu não calculas quanto grato eu estou

    P'las palavras amigas que me mandas,

    São só flores, lançadas de varandas,

    Que me acompanham para aonde vou.

     

    O verso que, de ti, partiu, chegou

    Transpondo o oceano, da outra banda,

    Com um poema lindo que comanda

    O rastro do perfume que deixou.

     

    Eu fico olhando os céus, na noite calma,

    Com um prazer tão grande dentro da alma,

    Que me perco, no tempo, p'ra sonhar.

     

    E sei que essas palavras feitas verso,

    São estrelas percorrendo o universo,

    Transportando fiapos de luar.

     

    Parede / Portugal (05/02/2014)

     

     

    CELESTIAIS

    Regina Coeli

     

    Serenamente lindas elas vêm

    Se dar em poemas ao azul do mar

    E, perfumadas, jogam notas no ar

    Num canto a estrelas próximas e além...

     

    Encantam a lua e os astros todos, sem

    Deixar de, ao sol, dar loas por brilhar

    E refulgir a Vida em seu passar

    Na luz e cor que a augusta Vida tem.

     

    Deitam nas nuvens a declamar um verso

    De alma tão pura e de raiz brejeira

    À magnitude excelsa do Universo.

     

    Sobre minh'alma, triste e carpideira,

    Caem tuas letras, bênção ao adverso

    Do meu poema de uma vida inteira.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 05 de fevereiro de 2014.

     

     
     

    NA VOLTA DO CORREIO 

    António Barroso (Tiago)

     

    Chegou, agora mesmo, senti chegar,

    E perplexo fiquei, não sei que diga,

    São palavras amigas duma amiga,

    Em versos tão lindos que não têm par.

     

    Quedei-me, então, sozinho, p'ra escutar

    O vento que me diz, numa cantiga,

    Com música dum pobre que mendiga,

    Um pouco de sossego a meditar.

     

    E um obrigado surge, de rompante,

    Neste mesmo momento, neste instante,

    Preciso que lá chegue, e bem depressa.

     

    Pois, tendo a minha amiga outros amigos,

    Uns perto dela, e outros já antigos,

    Não quero que, por isso, ela me esqueça.

     

    Parede / Portugal  (06/02/2014)


     

     ESCOLHAS

    Regina Coeli

     

    Tal qual um bom sapato para o pé

    Fazendo belo o tom de uma passada,

    Àquele amigo leal de caminhada

    Oferto a minha flor e um beijo até.

     

    Santa lealdade... Nela eu boto fé!

    Embora a sinta hoje apequenada,,

    Insisto em crê-la um sol na madrugada

    Clareando em raios pra mostrar "que é"...

     

    Creio no amigo que do verso vem,

    Faz da metáfora a mais linda flor

    Para enfeitar o meu jardim também...

     

    E a esse amigo, seja de onde for,

    Estendo os braços, porque ele é um Bem

    Que eu prezo muito e por quem tenho Amor.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 06 de fevereiro de 2014.

     

     

     

    NO MEU JARDIM

    António Barroso (Tiago)

     

    Essa flor que mandaste, para mim,

    Com perfumes de sensibildade,

    Embrulhada em palavras de amizade,

    Coloquei-a no meio do meu jardim.

     

    Tratei-a com cuidado e, por fim,

    Quando a pude observar, mais à vontade,

    Sorriu-me, com brandura e com bondade,

    Entre uma rosa branca e um jasmim.

     

    Quando ora, devagar, abro a janela,

    O meu olhar se alonga e pousa nela

    E fico, assim, o tempo que preciso.

     

    Se vejo a flor sorrir de encantamento,

    Uma imagem se cola ao pensamento,

    Já tenho, em meu jardim, o paraíso.

     

    Parede / Portugal (07/02/2014)

     

     

    METÁFORA

    Regina Coeli

     

    Rosa vermelha... sangue derramado

    Por sobre pétalas de então brancura

    Fez essa flor sangrar na desventura

    De a torpes cravos seu amor ter dado.

     

    Se a rosa branca e um jasmim ao lado

    Formam um par de olor e de candura,

    Nenhum jardim verá sua terra impura

    Se sorve à rubra rosa algum pecado.

     

    Se entrega toda ao sol a rubra flor

    E o ama quanto mais completamente

    Ele a cobrir de enlevo e de calor...

     

    Sempre fragrante a rosa, etereamente

    Há de se dar (sem pejo e sem pudor)

    Também ao luar, porque ela é o que sente.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 08 de fevereiro de 2014.

     


    VARINHA DE CONDÃO

    António Barroso (Tiago)

     

    Regada, com carinho, a rosa abriu,

    De repente, subtil, vinda do nada,

    Eis que ficou pairando, linda fada

    Que lhe deu forma humana, e ela sorriu.

     

    E o cetro de Regina lhe surgiu,

    Brilhando, sob o sol, na madrugada,

    Coeli, Coeli, assim era chamada

    P'la fada que, de pronto, se sumiu.

     

    Quando ela se esfumou, pelos espaços,

    Quis acolher a rosa nos meus braços

    Mas o mar se interpôs, perdendo a calma.

     

    Agora, espreito a rosa, tão discreto,

    Que a vejo construindo o seu soneto

    Com palavras amigas que entram na alma.

     

    Parede / Portugal (09/02/2014)

     

     

    REDENÇÃO

    Regina Coeli

     

    Celebro o verso como uma oração

    A aquietar os meus sutis desejos,

    Meus ternos sonhos, ávidos dos beijos

    Que ousei sonhar em noite de verão.

     

    Depois o inverno foi uma estação

    A silenciar a lira em seus arpejos,

    Caiu no outono aquele rol de ensejos,

    Morreu de fome uma infeliz paixão.

     

    Meu verso então sonhou a primavera,

    Correu no espaço, foi além do mar

    E sussurrou sua última quimera:

     

    " —  Teu verso, Tiago, é meu sagrado altar."

    Assim, ajoelho toda a minha espera

    E em teu jardim serei rosa a rezar.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 10 de fevereiro de 2014.

     

     

     

    DESPERTAR

    António Barroso (Tiago)

     

    Como acordar dum sonho tão bonito

    E entrar no mundo rude, costumeiro?

    Talvez, se a correr, for ver primeiro

    Se recebi, de longe, algum escrito?

     

    Então, ouço as palavras, e acredito,

    São rosas a chegar desse canteiro,

    Num soneto tão puro e verdadeiro

    Que, para responder, me deixa aflito.

     

    Quando findo a leitura, dou por mim

    Beijando as rosas todas do jardim,

    Sob os raios de sol vindos dos céus.

     

    Mil versos leio, em livros e folhetos,

    Costumo receber muitos sonetos,

    Porém nenhuns tão lindos como os teus.

     

    Parede / Portugal (11/02/2014)

     

     

    OÁSIS

    Regina Coeli

     

     Meus olhos fecho e vou ao Infinito,

    Que é lá que mora a Vida dadivosa,

    Um chão perene a cultuar a rosa,

    Meu doce sonho, meu sonhar bonito.

     

    E lá vou eu, vou sussurrando o grito,

    Lá minha lida é toda cor-de-rosa,

    Sem feias guerras ou atitude prosa

    A macular a tez do que é bendito.

     

    Meu verso chora... Carpe... Então sorri

    Quando retiro o véu de uma tristeza

    E reabro em mim o sol, pensando em ti.

     

    E sob um céu, azul de sutileza,

    Floresce a rosa rubra (que eu senti

    Não mais em mim florir...) ao verso presa.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 12 de fevereiro de 2014.

     

     


    BARCO À VELA

    António Barroso (Tiago)

     

    E lá vai ele, vai, sulcando o espaço

    Soneto feito nau de era moderna,

    Se o leme, comanda uma mão fraterna,

    O verso empurra as velas, sem cansaço.

     

    A musa sobe ao mastro, passo a passo,

    E fica-se em vigília quase eterna,

    O comandante, enquanto a nau governa,

    Transporta, com cuidado, o meu abraço.

     

    No porão seguem todos meus desejos

    Envoltos em papel da cor dos beijos,

    Em caixa almofadada de conforto.

     

    E as musas vão soprando, com afã,

    P'ra ver se a nau chega, inda de manhã

    E sua âncora lança num bom porto.

     

        Parede / Portugal (12/02/2014)

     

     

    CAIS

    Regina Coeli

     

    Largas no espaço a voz do teu soneto,

    A nau moderna na mansão dos ares,

    Fazendo doces todos os pesares

    Cada quarteto e cada teu terceto.

     

    Tão simples, vestes rico teu poemeto

    Um barco azul na imensidão dos mares

    E multicor no teu abraço aos lares

    Que o guardam ao peito como um amuleto.

     

    Ao imaginá-la, sinto a nau valente,

    Vibrando as velas no vencer dos dias

    E suaves musas a soprar pra frente.

     

    Se a nau adentra as minhas cercanias,

    Pensar que sou seu cais me faz contente...

    E nela ancoro as minhas fantasias.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 13 de fevereiro de 2014.

     

     

    NA PRAIA

    António Barroso (Tiago)

     

    Fui à praia e deitei-me sobre a areia

    Com a espuma do mar, meus pés beijando,

    E, com ele, vinha orquestra acompanhando

    Maravilhosos cantos de sereia.

     

    E, neste quadro lindo, que me enleia,

    Medito na mensagem que, sonhando,

    Lá de longe, bem longe, estou esperando

    Num soneto que trace uma epopeia.

     

    Mas eis que já chegou, montando o vento,

    E, nele, debrucei meu pensamento

    Para o ler, com sossego e muita paz.

     

    Então, vontade grande se extravasa,

    Correr, muito depressa, a minha casa,

    Só para responder... se for capaz.

     

    Parede / Portugal (14/02/2014)

     

     

    PEDIDO AO MAR 

    Regina Coeli

     

    Sobre tuas águas, mar, eu já chorei

    Timidamente pelo teu mistério

    De vagas tantas, doce refrigério

    A tantas lágrimas que em ti deixei. 

     

    Busquei sentir-te e compreender a lei

    Que além de Vida faz-te cemitério

    Ao que é banal e ao que parece sério,

    E as tuas águas muito mais amei.

     

    Na placidez com que tu vens à praia

    Ou açoitando em fúria os teus rochedos,

    Ah... dubiedade que em mim bate e espraia...

     

    Mar, encapela em ondas os meus medos

    E bem longe, entre espumas, sobressaia

    Um terno beijo em meio aos meus segredos...

     

    Rio de Janeiro/RJ, 15 de fevereiro de 2014.

     

     

     
    O FADO E O SAMBA

    António Barroso (Tiago)

     

    Fui, ontem, minha amiga, ouvir o fado

    Em letra de canção, que nos amarra,

    Sai, rouca, nos acordes da guitarra,

    Num som cálido, triste, amargurado.

     

    Então, lá bem detrás, do outro lado,

    Surge um outro fadista que se agarra

    Às cordas da viola tão bizarra,

    Num canto, em desafio, continuado.

     

    Isto fez-me lembrar nosso dueto

    Que, singrando, soneto após soneto,

    Viaja entre o Brasil e Portugal.

     

    Aqui, ouve-se o fado em noite fria,

    Aí, na tarde quente, há a alegria

    De quem prepara, em samba, o carnaval.

     

    Parede / Portugal (16/02/2014)

     

     

    AÍ E AQUI

    Regina Coeli

     

    O fado, caro amigo, eleva a alma

    Que, triste, sangra as cordas da viola,

    Bebe das notas que a guitarra evola

    E nelas purga a santa dor que acalma.

     

    Alegre, o samba puxa sempre a palma,

    Se sapateia com seus pés de mola

    E ao rosto pinta o riso que consola

    Tudo que dói, e o coração espalma.

     

    Se no Brasil o surdo na avenida

    Me bate fundo, eu lembro Portugal

    Vibrando em cordas pra escorar a Vida.

     

    Mas a cuíca, em lúgubre ritual,

    Geme o Brasil da gente tão esquecida

    Que apenas é feliz no carnaval...

     

    Rio de Janeiro/RJ, 16 de fevereiro de 2014.

      

     

    UM DIA...

    António Barroso (Tiago)

     

    Neptuno, deus dos mares, conseguiu

    Secar todo esse mar que nos separa

    E, com habilidade muito rara,

    Dois vastos continentes reuniu.

     

    Então, olhando em volta, ele sorriu,

    Pôs Regina e Tiago cara a cara,

    Satisfeito p'lo feito que alcançara,

    Foi ler nossos sonetos e sumiu.

     

    Feliz, eu nem queria acreditar

    Que os deuses conseguissem nos juntar

    Com a vontade férrea, que faz lei.

     

    Trocámos frases, versos, tão bonitos...

    Poemas, lado a lado, foram ditos...

    Depois, tudo acabou, porque acordei.

     

    Parede / Portugal (17/02/2104)

     

     

    NO MESMO DIA...

    Regina Coeli

     

    Tu te acordaste, o sonho continuou.

    Teve um final diverso para mim;

    Netuno trouxe rosas de um jardim

    E em sua mão a mais bela murchou...

     

    Leu os sonetos, tudo o encantou,

    Era feliz por ter juntado, enfim,

    Tiago e Regina pra fazer o fim

    Apoteótico que o deus sonhou...

     

    " —Tiago se foi... pranteou a murcha flor,

    Sufoco em mim a mais linda ansiedade:

    O verso que ele não cantou pro amor..."

     

    E o deus dos mares trouxe à realidade

    O mar. E todo um sonho, encantador,

    Adormeceu nos braços da saudade.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 18 de fevereiro de 2014.

     


    A MAGIA DO SONHO

    António Barroso (Tiago)

     

    Foi apenas um sonho... de encantar...
    Mas o homem, sem o sonho, não é nada,
    Vive uma vida triste, amargurada,
    Com a lágrima sempre em seu olhar.

     

    O sonho deixa marca, ao acordar,
    É cena que perdura, e é relembrada
    Quando, longe, clareia a madrugada,
    E meigo raio de sol nos vem beijar.

     

    O sonho é um embrulho com um laço
    Que aperta, para dar um grande abraço,
    Que inventa situações, e que sorri.

     

    O sonho! Ah! O sonho é o maior bem
    Que corre pela terra de ninguém,
    Que faz, de longe, estar perto de ti.

     

    Parede / Portugal (18/02/2014)

     

     

    POR QUE SONHO?

    Regina Coeli

     

    O sonho são estrelas que eu não vejo,

    Mas tocam em mim quais raios de luar,

    É a minha boca pronta pra beijar

    Sem mesmo haver uma intenção de beijo.

     

    O sonho é muito mais do que um desejo,

    É a onipotência em insistir andar

    Por via que em nenhum lugar vai dar,

    Pois menos vale o ganho do que o ensejo.

     

    O sonho não é chão, habita o espaço

    Das mentes que se entregam ao seu destino

    E se comprazem na impressão do abraço.

     

    Meu sonho é todo meu, um suave hino,

    É a minha fita soando em ti, meu laço,

    És tu a me apertar... Sonho e imagino.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 19 de fevereiro de 2014.

     

     

    VARINHA DE CONDÃO

    António Barroso (Tiago)

     

    Se houvesse, como disse, uma varinha
    De condão, de fada milagreira,
    O sonho acabaria de maneira
    Que era realidade, muito minha.

     

    Metia as personagens na salinha
    Onde sempre sonhei, a vida inteira,
    E dava-lhes vida, sem canseira,
    Para, depois, falarmos ao que vinha.

     

    Se abraços eu sonhei, abraçaria,
    Mas se pensei em beijos, beijaria,
    E, se andasse, no sonho, de mão dada,

     

    Colava a minha mão à tua mão
    E diria à varinha de condão,
    "Podes ir, não preciso de mais nada".

     

    Parede / Portugal (19/02/2014)

     

     

    SONHAR...

    Regina Coeli

     

    "Colava a minha mão à tua mão",

    Mavioso som vibrando ao meu ouvido

    Como um estribilho suave e repetido

    Enchendo o ar de uma feliz canção...

     

    Sonhar... Sonhar... Deixar a emoção

    Me dominar a cada poema lido

    Num sussurrar angélico e sentido

    Ao meu vibrante e etéreo coração...

     

    Num sonho livre — como passarinhos

    Que voam cedo, ainda em madrugada,

    Pra construir os seus sagrados ninhos —,

     

    Meu verso treme e sente emocionada

    A mão que colo à tua em mil carinhos,

    Sonhando em nós a própria Vida, amada.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 20 de fevereiro de 2014.

     

     

     

    OUTRO DIA...

    Regina Coeli

     

    No infinito uma fada eu encontrei,

    Guardadora de rosas perfumadas

    Por aleias compridas como estradas

    Por onde andei, andei, voei, voei... 

     

    Era tanto perfume, que eu pensei

    Fossem ondas de amor espiraladas,

    Fossem notas de lira harmonizadas

    Com as forças do cosmos e a sua lei.

     

    Não vi mar, não vi terra, só o espaço

    Embriagado em divinal frescor,

    E eu me abracei, sentindo o teu abraço...

     

    Chegaste, então, em nuvem de vapor

    Com teu soneto, num etéreo laço,

    Pra rubra rosa inda a sonhar o amor.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 20 de fevereiro de 2014.

    (originalmente escrito em 17-02-2014)

     

     

    CICLOS

    Regina Coeli

     

    Os olhos reabro, volto ao cotidiano,

    Vazias mãos e o peito em emoção,

    Acendo a luz que vem do coração

    Pra alumiar-me as horas neste plano.

     

    A cada aurora se renova o ano.

    Cada meu dia é pura construção,

    Vinda do verso toda a minha ação

    Em que o abstrato cuida o que é humano.

     

    Meu verso é fiel e verdadeira escora,

    É afetuoso amigo que me diz:

    "Escreve, e manda a tua dor embora!"

     

    Mandei. E amei no verso como eu quis.

    E encheu de amor o verso mundo afora.

    E amar em verso é ser também feliz.

     

    Rio de Janeiro/RJ, 20 de fevereiro de 2014.

    (originalmente escrito em 12-02-2014)

     

     

     

     

    Arte Final - Cleide Canton

     


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    Página editada por Cleide Canton em 16 de março de2014

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