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O
AMOR QUE POSSO
Cleide Canton O amor que posso e não me foge à rima, despede a farsa ao projetar um rumo do eterno sonho, mesmo que deprima, no fim do acaso que se fez sem prumo. O amor que sinto peca, na verdade, no alar sem jeito de um velado canto, nos tais momentos de sentir vaidade em que me envolve seu dourado manto. É muito o preço que me cobra a vida em festas tantas de um bailar sereno, em palcos quantos... Fala indefinida que pouco dura, no cenário ameno, mas que embeleza a dor da despedida na tela fria, azul de metileno. SE ME FALAS DE AMOR Cleide Canton Se falas de amor e então me perco
nos véus de anil, num doce envolvimento,
não me distraias, esse é meu momento
e força alguma adentra este meu cerco.
Se me falas de amor, não te asseguro que sejam plenos meus ouvidos loucos
e lembrarão das juras dos bem poucos
que ousaram desvendar o meu escuro.
Se me falas de amor, eu te garanto que rosas desfolhei num longo pranto na espera vã de alguém que vi partir. Se me falas de amor, estejas certo: serás mais um oásis no deserto, uma reserva azul no seu porvir. COM AMOR NO OLHAR Cleide Canton Ao teu ouvido digo, meu amado, que um sentimento, embora nos encante, soçobrará em fel no peito amante
se lhe faltar as regas e o cuidado.
A voz que toca ouvidos em surdina ou, tresloucada, geme de prazer, encanta o ato e, mesmo sem querer, é luz que ofusca a cena que domina. Doce ternura o canto-mor desperta, (do azul coral vestido de divino) ao aplaudir o sonho que liberta. A melodia, então, se torna um hino, clamando ao tempo, em prece quase certa, que exista, de verdade, o tal "destino".
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Página editada por Cleide Canton em 12/07/2005