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Rua da Amargura
Cleide Canton Garcia
Você a conhece?
Fica ali, três quarteirões abaixo,
à esquerda.
É uma rua larga, sombria
e, apesar de muito fria,
muitas pessoas passam por ela.
Pasmem!
Até ali decidem morar.
Sempre há lugar.

Nenhuma árvore,
nenhum jardim,
nenhuma cor...
É a rua do desamor.
Talvez você escute,
se aguçar os ouvidos,
os leves ruídos
de lágrimas a rolar.
Os que ali moram
e os que estão a passar
nunca deixam de chorar.

Passei por ela algumas vezes,
foi preciso,
mas passei ao largo,
amedrontada,
desconfiada.
Mais do que depressa
apeguei-me ao colorido
que dá sentido
ao meu viver.

De onde moro
avisto essa rua.
Deixei-a de lado
morta no meu passado.

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