ROSAS AZUIS
Paulo Silveira de Ávila

Rosas azuis nas noites serenas, sussurram,
rompem o silêncio da madrugada,
singrando o êxtase à beira
dos abismos.
Nas penas dos poetas e sonhadores,
perpassam cálidos sonhos,
que flutuam na imaginação utópica,
na desordem lógica do pensamento.
A lua cúmplice das noites estelares,
faz charme beijado suas pétalas tênues,
encantadora e discreta,
aconchegada de luz.
Sob a alfombra prateada do luar,
brota uma sensualidade
aos olhos ávidos,
que te mira como mulher amada.
Da embriaguez fluida docemente,
sopra o vento exalando
 um cheiro lúbrico,
carregado de suspiros carinhosos,
que se cruzam ao toque impulsivo
das carícias.
Na coreografia aconchegante
 das mãos,
nasce erotizada vontade
 de possuí-la    
coberto de sedutoras rosas azuis.  
 
 
 
ROSAS BRANCAS
Cleide Canton
 
Sentindo-as desmancharem-se em pétalas
e pousarem suavemente sobre o canteiro triste,
a roseira mãe se entristece e, em prantos,
louva a beleza pura que não mais existe.
 
Lembranças do botão que se abriu ao sol
sob o olhar atento dos que lá passavam.
Curvado, o caule acena um último adeus
aos restos brancos que suspiros exalavam.
 
A terra tranqüila, num regozijo tolo,
ao recebê-las viu adubo e se sentiu feliz.
No morrer da beleza o resto se acomoda
pela onisciência de quem assim o quis.
 
Um poeta triste que por ali se achava
vendo as pétalas brancas caídas, todas recolheu
para colocá-las sobre o corpo inerte da amada.
Porém, no toque de dor, em azul as converteu.
 
Enquanto a amada aos céus ia chegando,
levando consigo a saudade dele num sonho,
a pena discreta do poeta em rimas deslizava
sobre o tapete de rosas que nasceu tristonho.
 
Daquela alvura toda, a tinta em cor celeste
deixou um rastro visto em noites de luar,
onde o amante faz das rimas sua fantasia
buscando rosas azuis para, então, chorar.
 
SP, 22/04/2005
13:50 horas

FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA

 

Página editada por Cleide canton em 09 de abril de 2006

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