Que te dizer de mim
Cleide Canton


Que posso eu te dizer
se não do que estás farto de saber?
Que para ti são meus versos
cheios de vãos desejos dispersos,
entremeados de uma saudade imensa?



Que poderia eu ainda te dizer,
perdida neste tolo entardecer
onde minha curta visão não alcança
sequer o que está mais perto de mim?
Até onde chegaria meu bem querer?



Ao céu compadecido
que me ouve enternecido
e junta seu pranto ao meu?
Ao sol que há muito se escondeu?
Às estrelas que reluzem nos olhares apaixonados
e se recolhem nos meus, cansados?



Talvez ao velho ribeirinho
que passeia de mansinho
ou àquelas flores pequeninas
escondidas dos olhares desatentos,
pisadas, levadas ao aquém pelos ventos?



Quem estaria a ouvir meus tolos anseios
descobrindo os muitos bloqueios
que andam tão bem escondidos em mim?
Haveria no mundo um outro tolo assim?



Quem ainda creria, de fato, no amor
como o maior de todos os sentimentos,
liberto de maldades, de fingimentos,
motivo da inexistência de parcos argumentos
que apagam a chama do próprio Olimpo?



Quem haveria de entender-me assim
tão distante e tão perto do fim?

Proibida a cópia sem autorização da autora

 

Web designer Ana Amélia Donádio
romantichome@terra.com.br
Página editada em 16/03/2004.

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