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QUEM SOMOS?
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Cleide Canton
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Quem somos nós,
tão lentos nos nossos pensares,
tão distantes dos nossos porquês,
tão descrentes das nossas
possibilidades,
tão cegos diante do que está
evidente?
Quem somos nós
perdidos em esboços de sorrisos,
tateando nos escuros
com medo dos nossos medos,
calando a pureza de sentimentos
em troca de falsos afagos,
comprando aplausos através de
aplausos,
trocando o certo, rotineiro,
pela sedução do novo, passageiro?
Quem somos nós,
esquecidos nas clareiras
onde paramos porque somos festa,
ao invés de buscar
a verdadeira magia nas fontes
celestes,
tão próximas do nosso toque
mas tão distantes da nossa
vaidade,
do nosso orgulho
e da nossa descrença?
Quem somos nós
e que espécie de temores são estes
que impedem um caminhar
compassado,
um olhar confiante, um sono
tranqüilo,
um bom-dia iluminado pelo sol
e carinhos incondicionais?
Seríamos criaturas
afastadas da criação
e que, por tal,
distanciadas dos seus objetivos,
náufragos em vendavais
ocasionados por si mesmos?
Quem somos, afinal?
Uma resultante da fusão
do bem e do mal?
Resposta a um apelo carnal?
Protótipo ainda, informal?
Quem somos, afinal?