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QUE
FAÇO, SENHOR?
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Cleide
Canton
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Sondo corações na trilha do desespero,
almas inquietas na aflição dos seus
fracassos,
passos tortuosos sem a opção do esmero,
rostos desgastados, sem definição de traços.
O jovem perdido, na busca de seu horizonte,
agarrado às ilusões de um agora em alegria,
fugindo ao confronto de
valores, visão insonte,
que da angustia instalada, por hora, lhe
alivia.
O ancião alquebrado no refúgio do seu
passado,
perdido num leve sorriso cheirando a saudade,
tentando driblar os novos conceitos, já
cansado
dos gritos de alerta nos descaminhos da
verdade
A mãe que implora compaixão por sua cria,
percebendo que a força do outro é mais forte
na luta desigual, ferrenha que a sufoca e
asfixia
e que sabe, no valor, ser de vida ou morte.
A criança nascida sem berço programado,
entregue à sorte sem conhecer a esperança,
relegada a planos outros, "menor abandonado"
ao convite do crime que tão cedo a alcança.
Que faço aqui, Senhor, tão longe do meu
sonho,
pequena que sou para arar a extensão deste
chão,
já rouca e desgastada nos versos que
componho,
sem resposta clara para esta minha indagação?
Que faço aqui, Senhor, sem armas, sem
bravura,
sem amparo da retaguarda, sem grito da
infantaria,
sem divisas de fronteiras, num céu de
negrura,
num campo minado esperando o sol da
galhardia?
Senhor, que faço?
Luto ainda
ou descanso o meu cansaço?!
SP, 19/08/2006
11:30 horas
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FORMATAÇÃO
DE SIMONE CZERESNIA
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