Eu posso não ser assim
tão plena como me vês,
mas tentes olhar pra mim
entendendo os meus porquês.
Eu posso não ser o chão
que sustenta os passos teus
mas aqui, no coração,
tu tens espaço de um deus.
Eu posso não ser a musa
a inspirar os teus poemas,
mas não sou olhar que acusa
a razão dos teus problemas.
Eu posso não ser a brisa
que refresca o teu pecado,
mas sou água que batiza
o teu novo sonho alado.
Eu posso não ser a rima
que vês na tua lembrança,
mas sou o verbo que anima
os passos da tua andança.
Eu posso não ser luz
que dança no teu caminho,
mas meu abraço conduz
teu regresso para o ninho.
Eu posso não ser a mola
que te empurra na subida,
mas sou o ás da cartola
evitando a decaída.
Eu posso não ser a fruta
que degustas com prazer,
mas sou o vinho da luta
que bebes sempre ao vencer.
Então, se sou o que sou
e tu não me vês assim,
soprar poeira não vou
pois tenho orgulho de mim.
SP, 09/12/2006
20:00 horas