Por tua causa
as nuvens opacas que
perambulavam,
afrontando o meu
desejo de visão,
despediram-se,
comovidas,
e eu colhi estrelas
no meu céu.
Por tua causa
as flores se fizeram
sorrisos,
desmanchando-se em
azuis,
na vasta orla que
meu sonho alcança,
bailando ao som de
um novo cantar.
Por tua causa
as palavras fluíram
sem ensaios,
as frases
se vestiram de harmonia
e metáforas foram
esquecidas
na simplicidade do
meu versejar.
Por tua causa
as ondas espumaram
esperanças
e o mar
aquietou-se vestindo-se de festa,
aguardando o beijo
terno da lua
que, desta feita,
não se fez tardar.
Por tua causa
um novo horizonte se
descortinou,
livre de barreiras e
véus,
no medroso poente
das
minhas esperanças.
Por tua causa
o vento desviou seu
curso
para beijar a face
das escarpas
e descansar,
sonolento,
nos vales férteis
onde se deitam
os amores sem final.
Por tua causa
descobri novos fios
prateados
no brilho do luar
que ora reluzem,
encantados,
neste meu novo
olhar.
Por tua causa...
Por te amar.