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POETAS SÃO SERES
DIFERENTES
Cleide Canton
Poetas
não são pessoas comuns e talvez não nasçam como os comuns.
Poetas
são seres que descobrem ter nas mãos o condão mágico de tocar
profundamente os sentimentos daqueles que o lêem, do simples
sorriso à transformação de suas visões. Manipuladores das
palavras usadas com ritmo e harmonia, conseguem direcionar
visões para um foco, na maioria das vezes limpando os
emaranhados que se formam pelas agruras da vida, mostrando um
outro lado de um mesmo valor, desnudando a alma através das
afirmações que coloca nas linhas e entrelinhas.
O poeta
cria o cenário de um ato, colocando ricas vestimentas nos seus
personagens, verdadeiros ou fictícios, inundando de luz e cores
os fatos que se sucedem, "monologando" o que poderia ser um
drama ou uma comédia. Coloca em tela o que sente a respeito de
tudo e de todos. Ousado, cria um estilo próprio, fruto de suas
pesquisas, juntando o que viu de melhor nos seus antecessores e
adequando o linguajar ao seu tempo e ao seu espaço. É capaz de
transformar uma cena qualquer em algo grandioso, digno de
aplausos, da mesma forma que transforma uma cena brilhante em
vulgar.
O poeta é
assim: dono de seu nariz e do seu faro. Nada nem ninguém o
transforma, apenas o impulsiona através de vaias ou ovações.
Embute nas suas obras o que sentiu, o que sente e até consegue
imaginar com detalhes, o que sentirá. Quanto mais ricos os
detalhes, mais brilho consegue. Foge totalmente da simples
descrição dos fatos. Extrapola, ultrapassa limites, não dizendo
apenas do que vê, mas do que sente diante do visto. Inspirações
não são solicitadas, nem temas. Elas nascem de uma frase solta,
de uma palavra apenas, de uma tela, de um sorriso, de uma
lágrima. Nasce a qualquer instante, a qualquer hora de cada dia.
O poeta
vive poesia.
Poetas não
são pessoas normais. Nascem poetas embora esse seu dom possa
ficar adormecido durante anos ou possa surgir muito cedo. O que
demora, realmente, é o "sentir-se" poeta. Não são os aplausos de
terceiros que o farão ser poeta, mas os aplausos que ele mesmo
dá a si. É a satisfação plena no encontro de seu eu com sua
obra, na mais humilde e sincera aceitação do belo.
Reconhecer-se, entre seus pares, mesmo antes de ser reconhecido.
Criticar-se, antes de ser criticado. Aplaudir-se, antes de ser
aplaudido.
Poetizar
não é um ato comum e jamais os poetas serão pessoas comuns. Têm
a sensibilidade aguçada, gostam de ir a fundo e entregam-se de
corpo e alma ao seu mister.
Poetas são
crianças eternas que, mesmo em se deparando com a desventura,
acham uma maneira de extrapolar sua tristeza jogando, nos
entremeios de seus versos, o seu sofrer, as suas angústias, as
suas mágoas, da mesma maneira que jogam suas alegrias, suas
novas descobertas, suas visões e seus sonhos. Desabafam, assim,
e dividem com os demais todos os pesos.
Felizes
aqueles que entendem os poetas.
SP, 04/05/2009
11:40 horas
FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA
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Página editada por Cleide Canton em 06 de junho de 2009