PENSANDO NO DEPOIS
 
Cleide Canton
 
Até onde se pode chegar
quando se busca a beleza,
a verdadeira riqueza
que se pode almejar?
 
Como não se perder nessa busca
se os atalhos são tão envolventes,
os perigos tão próximos, iminentes
e a paixão exacerbada o amor ofusca?
 
Como entender os bloqueios
dos tropeços, dos descompassos,
do medo de tudo, dos fracassos
ou do impulso positivo dos pequemos receios?
 
Como conviver com ressentimentos,
com a projeção dos nossos defeitos
no outro, detentor dos mesmos direitos,
que não aceita os nossos argumentos?
 
Como aceitar com passividade
as próprias falhas e limitações,
tão vibrantes em todas as ações
onde se mostra a nossa verdade?
 
Por que, então, pela liberdade se luta
se nos acovardamos diante dos fatos
que, de reais, morrem em simples boatos
porque nos negamos à acertada conduta?
 
E o homem se perde nos próprios conceitos
quando despreza a importância dos valores,
da ética, da moral e todos os seus vetores
na busca simplista de apenas seus direitos.
 
E me pergunto e me perco nesse tal infinito
para onde convergem as nossas esperanças,
qual será o amanhã das nossas crianças
 tão ágeis e perdidas como um meteorito...
 
Onde acharão o belo
se nem mais fazem castelo,
escondidas em tais desarmonias,
sem paz, vendo passarem, incertos, os dias?
 
 
SP, 12/03/2006
16:50 horas
 
  
FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 26 de março de 2006

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