|

Pegadas
Cleide Canton
Pegadas segui em todos os tempos.
Sábios ouvi nos seus alentos.
Sorri dos magos e adivinhos que
previram a minha sorte.
As minhas mãos estendi
aos que se confundiram na morte.

Vivi
nem tanto...
Talvez o suficiente
para também deixar pegadas
aos que vierem após.
Ouvirão minha voz?
Talvez não.

Há os que querem errar sozinhos
e os que fazem só os seus ninhos.
Há os que derrubam para subir
sem perceberem o que estão a destruir.

Há os que pecam por omissão
e se calam ao choro do seu irmão.
Há os que se perdem em amargura
e jamais conhecerão a ternura.

Há aqueles que vivem na mentira
e atraem para si toda a ira.
Há os que falam sem pensar
e só conseguem desagradar.

Há os que bradam por amor
e se perdem na menor dor.
Há os que pacientemente esperam
mas as dores alheias não toleram.

Há os que por justiça bradam
e nem a todos agradam.
Há os que morrem por um ideal
e nem são lembrados pelos seu igual.

Há os que não cicatrizam suas feridas
e só lastimam suas vidas.
Há os que cobrem de mentiras seu caminho
e se perdem no veneno do seu próprio ninho.

Há os poetas que tão bem cantam
as glórias do amor
e conseguem transformar em beleza a sua dor.
Há milhões de almas tentando o seu rumo...
Eu, apenas estou seguindo pegadas
deixadas ao acaso
por alguns
que porventura pensaram em mim.

SP, 14/03/2004
16:00 horas
Proibida a cópia sem
autorização da
autora
|