PAPO DE ANJO
Cleide Canton
 
 
Sempre o ouço chegar
nos momentos em que o coração
arranja um jeito de driblar a emoção.
E com a voz em melodia
diz que velou o meu dia,
ouviu as minhas preces,
sorriu da minha lamúria,
enxugou o meu suor.
 

Diz que abrandou a nostalgia

com uma pitada de alegria
na visão se um beija-flor
e que zelou pelo meu sono,
privou-me do abandono
daquele meu velho amor.

 

Diz que colocou-me no colo,
afagou os meus cabelos,
acompanhou meu vôo solo
sem juízo de valor.
 
Diz que sorriu das minhas exigências,
zombou das minhas vaidades,
dos meus conceitos, das minhas verdades,
tentou um choro nas minhas tristezas
e um riso nas minhas sutilezas.
 
Às vezes penso
que isso tudo é "papo de anjo",
outras, um encantamento puro,
no cenário onde figuro.
 
Anjos!
Para mim todos são azuis
e tem longos cabelos encaracolados,
olhos verde-acinzentados,
com pele branca  ou negra,
gordos ou magros,
altos ou baixos,
mas sempre azuis.
Não sei de seus poderes
mas sei que acumulam deveres.
 
Anjos!
Teriam nomes
e sobrenomes?
O meu anjo da guarda,
seria Nicolau ou Benjamim,
ou, quem sabe, Serafim...
 
E por que será
que não encontro anjos
com nome de mulher?
Vanda, Rita ou Ester!
Não importa!
Chame o seu anjo como quiser!
 
SP, 17/11/2006/
20:20 horas
 
 
  

 

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Página editada por Cleide Canton em 12 de fevereiro de 2007

 

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