Orquídeas no jardim
(para Ana Carolina, a flor que não sorriu)
Cleide Canton
 
 
 
Como não render-se,
escrava das tuas cores brilhantes
dos teus detalhes minuciosos,
das linhas sinuosas da tua forma...
És dama da delicadeza
entre tantas, consulesa,
graça e realeza.
 
No teu desabrochar,
dançam pássaros e borboletas
num revoar com cheiro de festa.
Tudo muda ao derredor...
Flor-Maior!
 
Certa vez, no entanto,
no mais doce do meu canto,
preparei para ti
um vaso especial,
adubado com calor
de um sonho maternal.
 
Cuidei das tuas regas
com desvelos fartos
e palavras de amor,
do berço onde sorririas
tuas primeiras alegrias.
 
Afinal,
teu broto rasgou a terra
e não vingou...
 
Talvez,
plantada em hora incerta,
recusaste a porta aberta
para o reinado que não querias.
 
Talvez,
por força das circunstâncias,
te furtaste de ser
o centro das atenções.
Hoje sei
que anteviste razões...
 
Quiseste assim, eu respeito,
mas ainda chora a tua ausência
este luto em meu peito.
 
SP,30/03/2008
12:20 horas

          Arte Cleide Canton

 
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Página editada por Cleide Canton em 08 de outubro de 2008

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