ONDE O VENTO CHORACleide CantonLevam, os ventos,os pensares fartos de questõesque desfilam em blocos de tormentos.Caminhos ondulantesbarrados pelos muros da incompreensãoe portais de "nãos" oscilantes.Tentam, em alegorias,elucidar as razões vestidas de nódoasonde se escondem as minhas fantasias.Ensaiam passosnos descompassos das minhas melodias.Levam, os ventos,as vivências de cada segundo,as discrepâncias de um sonhar vagabundo,a fúria de uma paixão que aflorae os queixumes de uma voz que chora.Vagam pelo infinito,nem tão livres quanto se pensae não arrastam minha crença.Fortes e devastadores,carregam meus amorespor rotas ignoradas.Assoviam, brandos ou enfurecidos,gélidos ou aquecidos,mas esbarram em minhas janelas fechadas.Passam ao largoolhando sorrateiramente.Não mais encontramno meu olhar um pedido clemente.E, nesse instante, o vento choraao descobrir que não mais o escuto.Colheu apenasda minha árvore o fruto.Despede-secom um sorriso disfarçadoe esconde-se nos confins.Nesse lugar ignoradotalvez se enfurnem as tuas estrelas.Não ouvem o teu chamadopois estão presasaos lamentosdos meus ventos.SP, 11/02/200517:20 horas
