ONDE  ESTARÃO AS ESTRELAS?

Maria Thereza Neves

 

 

Preciso de lanternas, velas

 quem sabe vaga-lumes

ou mil pontes?

Tudo aqui escureceu!

Onde, onde estarão as minhas Estrelas?

 

Porque a mim apagaram o planeta?

Mendiga careço da invasão da luz

para olhar o vale , 

encontrar o limite do horizonte...

 

As Estrelas deveriam ter criado seu espaço

clareando sempre a volúpia do vento frio noturno !

 

Onde, onde Elas estarão ?
Nas escondidas ondas ou nas montanhas

 colorindo ,espalhando cheiros da terra ,

do mato virgem,

exalando maresias nas praias úmidas?


Sofro a hora dolente que erra

que anoitece sem qualquer luar

na penumbra que sobre mim desce,afoga

no rumor, clamor da voz que chora

na amargura dos sonhos sem cor

sigo com as folhas e letras em bando

sempre a procura do acender das luzes !

 

Acordem por favor as sonolentas Estrelas.. .

que voltem a tremular ao longe, nas curvas lentas

entre o perfil sombrio e vago do infinito

com discretas e suaves mãos

abrindo caminhos da imaginação

rasgando porões

escrevendo lembranças

soprando as noites mortas

apagando as  pesadas angústias do mundo

que em mim fundo tocam!

 

Onde, onde estarão as minhas Estrelas?

 

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JF/MG-05/02/05-17h36

(Direitos Reservados)

 
 
 
ONDE O VENTO CHORA
Cleide Canton
 
Levam, os ventos,
os pensares fartos de questões
que desfilam em blocos de tormentos.
Caminhos ondulantes
barrados pelos muros da incompreensão
e portais de "nãos" oscilantes.
Tentam, em alegorias,
elucidar as razões vestidas de nódoas
onde se escondem as minhas fantasias.
Ensaiam passos
nos descompassos das minhas melodias.
 
Levam, os ventos,
as vivências de cada segundo,
as discrepâncias de um sonhar vagabundo,
a fúria de uma paixão que aflora
e os queixumes de uma voz que chora.
Vagam pelo infinito,
nem tão livres quanto se pensa
e não arrastam minha crença.
Fortes e devastadores,
carregam meus amores
por rotas ignoradas.
 
Assoviam, brandos ou enfurecidos,
gélidos ou aquecidos,
mas esbarram em minhas janelas fechadas.
Passam ao largo
olhando sorrateiramente.
Não mais encontram
no meu olhar um pedido clemente.
 
E, nesse instante, o vento chora
ao descobrir que não mais o escuto.
Colheu apenas
da minha árvore o fruto.
Despede-se 
com um sorriso disfarçado
e esconde-se nos confins.
 
Nesse lugar ignorado
talvez se enfurnem as tuas estrelas.
Não ouvem o teu chamado
pois estão presas
aos lamentos
dos meus ventos.
 
SP, 11/02/2005
17:20 horas
 
 
FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 

 

Página editada por Cleide Canton em 10 de abril de 2006.

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