ONDE ESTÃO AS FLORES?
Cleide Canton
 
 
Há um tempo na vida
onde as flores dos canteiros
parecem sem cor,
onde os sonhos
perdem o esplendor,
onde as lágrimas impertinentes
embaçam os olhares indulgentes
dos que ainda acreditam no amor.
 
Tempo de aquietar-se e pensar.
Tempo de procurar e achar.
 
Há um tempo na vida
em que nos esquecemos do que somos,
perdemo-nos daquilo que fomos...
Nem mesmo conseguimos perceber
o que, em verdade, queremos.
 
Nesse tempo,
qualquer atalho que tomamos
nos leva a lugar algum.
Qualquer imagem verdadeira
é distorcida pela visão incomum.
 
E nos esquecemos
de regar as sementes da bondade.
As raízes da intolerância
sustentam a nossa vaidade
e a seiva da indiferença
estabelece o caos na nossa vontade.
 
Tempos infelizes!
Quanto ainda somos aprendizes!
 
Mas acontece,
no agora ou no amanhã,
um despertar onde a harmonia
dissolve a nostalgia.
O sol brilha com toda a intensidade
e as flores se tornam azuis
diante dos olhares em festa
de quem ainda consegue ver
a luz por uma fresta.
 
SP, 19/08/2005
21:30 horas
 
 
Midi: Claire de lune
Arte: Cleide Canton
 
Use mas não abuse.
Respeite os direitos autorais.
 
 
 
 

 

 Copie o código para colar no scrap do Orkut
 

                                                                    

 

Página editada por Cleide Canton em 24 de agosto de 2005

 

  online