O azul me basta
Cleide Canton Garcia


Quis secar o pranto
do meu desencanto
e sorrir prá mim.
Quis lavar a mágoa
onde ela deságua
e viver enfim

Quis parar a dor
e o desamor
que ainda restou.
Quis mudar a história,
limpar da memória
o que lá ficou.

Afastei a taça
da minha desgraça
que sorvi sem medo.
Mas o meu tormento
bebe um só lamento
que guardo em segredo.

Volto para o alto o meu olhar que chora,
brinco com as nuvens que depressa passam.
Nelas vejo as sombras que o passado aflora
das desilusões que agora se entrelaçam.

A calada dor que molda este momento
qualquer sentimento de alegria afasta.
No pesado fardo deste meu tormento
encontro o azul do céu que por hora basta.

Proibido a cópia sem autorização da autora

 

Web designer Ana Amélia Donádio
romantichome@terra.com.br
Página editada em 23/09/2003.

 

  online