O Anjo chora
Lara Cardoso
 
Cabisbaixo, entregue à dor,
pobre anjo, infeliz;
chora sua mágoa silente,
anjo não conhece o amor.
É eterno aprendiz,
um Ser inocente.
 
 
Anjo, por que choras então?
Se trazes em tuas asas
a felicidade embutida,
digas a razão
dessas tuas lágrimas,
pérolas perdidas...
 
 
Só tem uma explicação,
para este choro convulso
que deixas cair:
lavas a terra e o coração
que fundes em um soluço
fazendo a chuva existir...
 
 
Anjo, mago da beleza!
Molha esta alma tão ressequida,
dá a ela um único presente,
lava toda a tristeza.
Inunda-a de vida,
mata-lhe o amor ausente.
 
 
Ouço teu soluçar
Cleide Canton
Não consigo entender a dor
e as lágrimas do pranto teu.
Desconheço qualquer sabor
e todas as dores que viveu.
 
Sou essência pura
de beleza e candura.
Sou a mágica estrutura
que no tempo perdura.
Apesar de tudo,
teus passos não mudo.
 
A razão da tua existência,
a agonia da ausência,
a beleza do teu versejar,
a incerteza do despertar
são só os efeitos da causa
de sentires o amar.
 
Quem tudo criou no Universo
nada fez de perverso,
e se deu a a ti sentimentos
foi para aprenderes, com teus momentos,
a fazer de ti o melhor que puderes
mesmo que dúvida tiveres.
 
Os ecos desta tua oração
fazem-se sons de uma canção
a bailar por todo o espaço.
A promessa que te faço
é que quem tudo pode te ouvirá
e tuas dores aliviará.
 
Quanto a mim, já que me vês a chorar
sem mesmo lágrimas ter a derramar,
pedirei ao vento forte
que sopre de sul a norte,
 fazendo a chuva rolar
e tua dor pela ausência aplacar.
 
SP, 23/08/2003
13:33 horas
 
  
FORMATAÇÃO DE CLEIDE CANTON
 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 27 de abril de 2006.

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