NOS GESTOS VAGOS DE TUA MÃO
Pezente


Rocei meus lábios nos teus
e um estremecimento me dominou...
Teus lábios estão frios...
Já, neles, não há o amor de outrora...
Estás estranha... tuas mãos se agitam
(nelas percebo teu nervosismo).
 
Não tens coragem de fixar teus olhos nos meus.
Creio que nosso sonho está desfeito.
Eu compreendo... a felicidade
acenou-te em forma de outro coração...
 
Eu compreendo... eras tão criança
(e por isso, te amava tanto!),
quiseste, enfim, conhecer novas sensações.
Olho-te, e te estranho... és a mesma...
Apenas teu olhar encabulado,
tuas mãos entrelaçadas
fazem-me tremer...
 
Quisera penetrar em teus pensamentos...
Em teu coração... quisera entender
este teu estranho procedimento.
Num breve instante
nossos olhares se cruzam,
vejo uma dúvida nos teus.
 
Teu rosto, agora, mais pálido
sob a luz do luar, está belo!
Porque não falas...
Tira-me desta angústia...
Explica-me o que te aconteceu,
Somente assim te deixarei em paz...
 
Choras!
Não entendo mais nada...
Por que choras e me apertas tanto?
Serei o motivo de teu pranto?
Olhe... não agüento mais...
Diga-me de vez...
o que se passa em teu coração?

Se tens temor de dizer o que te acontece;
se, não queres explicar nada,
não irei te martirizar...
Peço apenas que partas...
Volte me as costas...
e siga o teu caminho...
eu, seguirei o meu...
mesmo que tenha de sofrer
para te esquecer...
Vá...
Será mais simples para os dois...
Tão simples!...



RECORDO-ME
Cleide Canton

Meu olhar adolescente
fitava-te
com idolatria!
Percebi o acelerar do meu coração
o gélido tremor das minhas mãos
quando teus lábios
cobriram ao meus.

Sim, amei-te!
Amei-te
com todo o meu ardor,
com minh’alma cheia de pudor.
Amei teus braços que embalaram
meus sonhos de amor.
Amei tuas mãos macias,
teus olhos ternos,
teu vulto todo...

Amei cada palavra tua,
cada gesto de carinho,
cada riso,
cada lágrima,
cada aceno...
Amei-te até não mais poder!

Hoje me envolves com os mesmos braços,
me enlaças e tenho teus beijos,
talvez não tão sequiosos,
talvez não tão desejosos...

O que houve?
O que mudou?
Apenas o tempo passou.
Nos meus olhos já não há o mesmo brilho,
os cabelos já perderam aquele viço
e não brilha tanto ao sol.
Minha pele já não tem a maciez de outrora
e talvez o meu abraço
já não tenha mais vigor.

Mas o amor,
meu amor,
Este sim, mudou.
E se não percebeste
ele apenas amadureceu,
jamais se perdeu
em outros olhares
que não fossem os teus.
Tu te tornaste
mais amigo que amante,
mais sol e menos lua,
mais homem, menos deus...

Por isso te abraço forte
e minhas lágrimas rolam.
Não quero perder-te
mas não consigo ser para ti
aquilo que um dia fui.
Perdoa-me!

SP, 22/04/2003
16:55 horas


 
  
FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 

 

 
 
Página editada por Cleide Canton em 11 de abril de 2006

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