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No palco da
vida, a mulher Cleide
Canton
É só tua, mulher, a luz dos refletores
neste palco da vida que,
embora tão imenso, pouco espaço concede para as tuas cenas.
Tantos são os aplausos a tua
beleza,
a tua riqueza de sentimentos, a tua arte
de ser mãe, companheira,
amante, constante, devota...
Quanto enaltecem a tua
habilidade
na administração do lar, o
teu zelo,
a tua
sensatez,
a tua capacidade de
perdoar, de aceitar,
de acomodar...
Quanto necessitam da força
tua prece,
do carinho das tuas
palavras sábias
nas horas de aflição,
do teu olhar de ternura e compreensão,
da tua disposição para um
recomeço,
das tuas palavras de
esperança...
Ah! Mulher! Só tu sabes
da enormidade dos teus sentimentos,
da tua garra na defesa dos teus,
da tua luta pela conquista dos teus espaços,
do teu valor quando te
escondes
atrás do companheiro que
elegeste
para impulsioná-lo,
para segurá-lo nas quedas,
para defendê-lo das
maledicências,
para endeusá-lo, embebedá-lo
de carinho
e fazê-lo sentir-se um
semi-deus.
Ninguém conhece a extensão
das negativas de ti mesma
para que os teus
não percebam as
ausências,
as carências, as tristezas.
Ninguém vê o jorrar de tuas
lágrimas
de desilusão pelos cantos do
teu lar desfeito,
pela incompreensão,
pela traição, pela covardia, pela injustiça,
pelo bloqueio dos teus mais
belos sonhos. Onde estão os aplausos pelo teu levantar-se,
pelo erguer-se sozinha, pelo
sair vitorioso
da lama que jogaram sobre a
tua estrada?
Não, Mulher!
Não são apenas aplausos que
mereces,
prêmios de consolação,
nem flores em cada fim de ato.
Mereces atitudes,
mereces o apoio incondicional
de todos e das leis,
mereces o olhar de admiração
e portas abertas para que possa caminhar livremente,
cumprir com decência todas as
tuas missões sem jamais seres barrada pelas intransigências,
pela burocracia, pela
desconfiança,
ou mesmo pelo medo de
que desapareça
essa visão de fragilidade
feminina
e que surjas, esplendorosa,
provando que a força maior
não é a que os músculos
demonstram,
mas aquela nascida da tua
própria essência.
Não és superior nem inferior ao sexo
oposto.
És simplesmente
ESPECIAL e, como tal,
neste Dia Internacional da
Mulher,
eu te chamo à conscientização
dos teus próprios valores.
Sê MULHER!!!
São Paulo,
08/03/2006.
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