NOITE DE
AMOR
Cleide
Canton
O telefone
toca em hora certa
quando o céu
vê estrelas a nascer.
Um suspiro
doce em sala deserta
se vestiu de
festa para o prazer
de ouvir a
voz do outro, sussurrando,
que de muito
tempo estava esperando
o
momento oportuno de a rever.
Um doce
"alô", um "como está você",
uma rápida
descrição do dia,
uma
pausa leve onde se antevê
um convite,
deslize de ousadia.
O bastante
para fazer tremer
o corpo todo
num entorpecer.
Um sorriso
largo, plena euforia.
Banho de
espuma, toque sedutor,
perfume
envolvente, brilho no olhar,
capricho em
detalhes, cor sobre cor,
e a vontade
de fazê-lo esperar.
Alguém à
porta. Ela esconde a ansiedade,
respira bem
fundo, fica à vontade
e muito
gentil o vai abraçar,
Ela tão
meiga e ele tão fogoso,
traídos pela
voz emocionada,
sentem-se
presos num elo ardoroso,
deixam-se
levar por um quase nada.
Não querem
mais apenas mão na mão
nem
conseguem dominar a emoção.
Ele
impulsivo e ela enamorada.
A noite
morna, amiga, hospedeira,
espalha
baforadas de ternura
no final de
uma festa domingueira,
na paixão
que ao desejo se mistura.
Não pensam e
se entregam, vacilantes,
aos apelos
que clamam dominantes
nesse mar de
prazer e de loucura.
Ela naufraga
no amor.
Ele navega
na aventura.
SP,
10/05/2006
19:49 horas