NEM SEMPRE...

NALDOVELHO

 

 

Nem sempre poesia, muitas vezes heresia,

enredo que não pode ser desfeito,

tramas, teias, dramas, grito espremido no peito,

histórias que o tempo fez questão de preservar.

 

Nem sempre são rosas, muitas vezes espinhos,

outras vezes são cortes, fraturas, entorses,

sangue coagulado, cicatrizes que ainda doem,

feridas que o tempo não foi capaz de curar.

 

Nem sempre fragrâncias, muitas vezes odores,

coisas cheirando a mofo, amareladas, apodrecidas,

resto de comida esquecida no forno,

coisas que o tempo não deu conta de dissipar.

 

Nem sempre vitórias, muitas vezes derrotas,

descaminhos, estranhos, sem volta,

andar desequilibrado pela beira do abismo,

escolhas que o tempo deixou você tomar.

 

Nem sempre o poeta que existe em mim agüenta,

muitas vezes ele se ausenta, viaja nas funduras,

macera dores, nostalgias, amarguras

e depois de algum tempo voltar a sonhar.

 

 

 
 
O QUE NÃO PASSA
Cleide Canton
 
São dramas todas as tramas guardadas
que o tempo insiste em manter trancafiadas
no peito que se entrega, já moldado pela dor,
naquele olhar perdido, quase cego e sem cor.
A descrença cresce, se agiganta e enlouquece.
Trapo humano é quem desse amor padece.

Marcadas pelo mofo, odor dos desenganos,
as mágoas impiedosas aumentam com os anos
e dançam o martírio de não serem esquecidas,
 presas às lembranças, jamais adormecidas,
do amor que se perdeu nas garras da mentira.
Um sopro de razão, distante, já antevira.

E nesta heresia é que ainda paro e brado
por este louco amor com gosto de pecado,
em rimas trançadas, falsas, empobrecidas
pelas velhas cicatrizes destas feridas
que o tempo imperioso ainda não curou...
O que passou, não passou... Não passou!

 

SP, 24/04/2007 - 14:00 horas

 
FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA
 

 

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Página editada por Cleide Canton em 10 de julho de 2007.

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