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Negativo
Cleide
Canton
Por mais que eu ouse e
tente
e de tudo te
afugente,
tua sombra não me
deixa.
Fui cair nas
artimanhas,
no mel das tuas
façanhas,
na lábia da tua
queixa.
Não te culpo, eu me
amarro
no que faço e tiro
sarro,
acabo me dando
bem.
Também uso e não
abuso,
nunca entro em
parafuso.
Só faço o que me
convém.
Mas essa sombra
maldosa
(que aparece toda
prosa
na minha visão
serena)
não respeita o meu
espaço,
se mete em tudo que
faço
e comigo
contracena.
Pois então eu
decidi
e só p'rá você me
vesti
de bruxa na lua
cheia.
Joguei teu nome do
tacho,
fiz na encruza o meu
despacho
com aparatos de
ceia.
Do retrato o
negativo
que usei como
aditivo
no fogo já
derreteu.
E a cueca
desgastada
que sobrou do nosso
nada
sob a terra se
escondeu.
Fico aguardando a
resposta.
Não ganha quem não
aposta
neste jogo de
maldade.
Tiro você do
caminho,
não mais me firo no
espinho,
espanto a
malignidade.
Faço e não
desfaço!
Etc...etc... Ponto e
traço.
SP, 10/08/2005
14:00 horas
Midi:
Filho da véia - Luis Américo e Braguinha
Arte:
Cleide Canton
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