Não sabes?
Cleide canton Garcia


Venho de um lugar onde meus dedos sangraram
onde meus pés cansados não encontraram chão
Venho de um céu distante,cinzento-nublado
onde todas as portas me disseram não.
Venho das lutas, dos sonhos perdidos
de um acaso qualquer, da imaginação
de naus naufragadas, de velas sem rumo,
da estrela cadente que riscou a escuridão.



Venho de longe, de mares bravios
de vales das sombras, uivos de dor,
de rios lamacentos , de lagos esquecidos
de matas selvagens, terras de calor.
Venho das razões esquecidas
dos apelos, das lágrimas frementes, 
da falta de apego, do teto, da cor,
venho do vale das vozes silentes.



Não sabes, amigo, de onde vim?
Trago na mala bagagens vividas
e no peito todas as dores sentidas.
Nem mesmo eu me quis assim.
E neste conceito do emaranhado de mim
encontro o teu eu, também machucado
sondando da vida o porquê da ferida
e querendo saber quem está do teu lado.



Queres mesmo saber de mim?
Não importa de onde vim.
Queres saber o que posso?
Posso te dar a vida que perdeste
e os sonhos que não conheceste.
Posso mudar o rumo dos teus passos
e preencher todos os teus espaços.
Posso tirá-lo ou deixá-lo no torpor.
Sou ,simplesmente, o amor!



SP, 05/02/2004
18:27 horas

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Página editada em 05/03/2004.
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