Mulher de mim
Cleide Canton

Hoje permito
à mulher de mim,
um grito.
Curti o tempo que se leva
para o casulo deixar
e poder
livremente voar.



Livre para
conhecer
a extensão do meu espaço,
para ter a certeza de que posso,
para combater sozinha
as feras dos meus medos,
para cantar o meu próprio canto,
para combater os meus defeitos
e reconhecer minhas virtudes.



Livre para embalar 
os sonhos só meus,
derramar as lágrimas só minhas,
entender os meus fracassos,
aplaudir minhas vitórias.



Sou livre para decidir,
para comandar,
para ouvir a voz
que sai de dentro de mim.
Sou livre para dizer
o meu sim e o meu não.
Sou livre para sorrir
das lágrimas do meu coração



Sou livre 
para não me sentir culpada,
para escolher entre o certo e o errado,
para gastar meu tempo
no infinito leque
das minhas opções.



Sou livre para ser amiga
e me dedicar por inteiro
a quem mereça,
a quem me chame,
a quem de mim precisar...



Sou livre para contestar,
mesmo aceitando
o próximo
como ele escolheu ser.



Sou livre 
para escrever meus versos,
metrificados ou soltos,
retrógrados ou modernos.
curtos ou longos.



Sou livre para dizer
que não passei pela vida,
vivi,
que não almejo a imortalidade
nem meu nome entre os grandes.



Sou eu, somente,
pequena,
imensamente
consciente
da mulher de mim.



Proibida a cópia sem autorização da autora
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 Web designer Ana Amélia Donádio
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Página editada em 15/05/2003.

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