MIRAGEM FUTURISTA
Cleide Canton


Em que futuro pensar?
No que nos leva a ciência,
onde os prognósticos
não nos favorecem?
Nas visões de uns poucos
chamados, por muitos, loucos,
traduzidas em metáforas, quebra-cabeças,
onde as peças não se encaixam em harmonia,
a não ser que lhes aparem as bordas
e, mesmo assim, decifrados
após os fatos consumados?
Nas cartas ciganas, nas leituras de mão?
Na Astrologia, nas premonições?

Misteriosos!
Assim vejo a hora,
o mês, o verão,
o século...
Cada momento ainda não vivido é futuro
e a cada um, vivido,
mais perto chego dele.

Prefiro acreditar
no progresso da consciência,
no amanhecer solidário,
nas atitudes voltadas
para corrigir as falhas do passado,
na luz de uma estrela
a despejar poeiras de amor,
na fé em algo superior.

Prefiro imaginar a terra sorrindo
através de botões em flor
do que repartida por catástrofes
e folhas secas, no chão, sem cor.

Prefiro imaginar o futuro
sem muros de desigualdade,
sem resquícios de crueldade,
sem guerras por um torrão,
sem ódio pelo irmão,
sem desvios de poder,
com o equilíbrio no dar e receber.

Nos meus divagares,
onde a utopia se faz presente,
vejo o futuro com olhos de crente
que não confia na sorte,
mas acredita piamente
que o homem pode.

 
  
ARTE CLEIDE CANTON
 
 
 
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Página editada por Cleide Canton em 02/06/2006

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