Meu canto chorou
Cleide Canton

 

Meu canto aquietou-se,
moribundo como a tarde que se despede,
como a noite que, por vezes,
oculta sua negra decepção,
ao constatar que nela
tecem beleza apenas a lua e as estrelas,
como a manhã que se deixa nublar
para esconder as lágrimas do sol.

Meu canto calou-se,
hibernado na caverna da desilusão
onde, abatido e solitário,
aguarda a brisa para refazer suas forças,
desatar o nó que tolhe a sua liberdade,
afastar as revoltas
com as quais não compartilha.

Meu canto entristecido
não aceita o desamor
que testemunha vinganças mesquinhas
sob o manto de justiça,
tampouco os muros que equilibram
os que ficam entre o certo e o errado,
não compactua com a covardia da fuga,
com a ironia dos desacatos,
com a vileza dos apelativos,
com o egoísmo que transforma o homem
num manipulador circunstancial
da vida dos que dele dependem.

Meu canto calou-se e chorou...

SP, 15/07/2005
13:51 horas

 
 
   FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 
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Página editada por Cleide Canton em 23/05/2006

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