Tombou a cabeça
e
deixou escondido
o olhar
de aflição.
Tamanho
o peso sobre os ombros,
que lhe
fez duvidar
de seus
próprios méritos.
Como
continuar
de
braços dados com a justiça
se ela
lhe injustiçara?
Como
erguer ainda
a
bandeira da fé
se ela
lhe faltara?
Como
aceitar
as
conseqüências da vileza,
as
farpas da negligência,
a
ausência dos conceitos de valor
que o
modernismo
travou
nas suas gavetas mofadas?
Como
transformar
o "um
por todos
e todos
por um"
em
"eu por mim
e Deus
para todos"?
Ficaria
ali, alquebrada,
eternamente,
não
fosse a estrela piscante da fé,
a
confiança na resposta universal
da qual
ninguém se furta,
dia
mais, dia menos...
Ergueu
as mãos
em
agradecimento,
não
pelos fatos,
mas
pelo que aprendera,
não
pela mágoa
nem
pelo desrespeito,
mas
pela oportunidade
de,
desta feita, acertar,
E o
sorriso foi-lhe brotando,
os
lábios corando,
o
castanho do olhar cintilando
no
dourado do mel.
Afinal,
não
havia vazamentos
na nau
que nunca esteve à deriva...
Tomou o
leme
e
aproveitou a maré.
Que
força tem a fé!
SP, 02/06/2008
18:20 horas