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Magia
Cleide Canton Garcia
Apodero-me da força mágica
de ser quem não sou.
Vibro como as cordas
de um violão
que acompanha os doces lamentos
de um samba-canção.
A melodia cala fundo
e eu, tal qual moribundo,
retrocedo no tempo
em busca de sonhos
que não sonho mais.

Afloram
os ternos momentos
esquecidos no tempo
que este lampejo
me faz recordar.
Toma-me o torpor
do suave balanço
dos passos que já não danço
e que outrora me deram
razões para amar.
Teu vulto apagado,
nem tão desgastado,
surgindo risonho
na tela do meu sonho
me faz acordar.
E a doce canção
perdida no ar
envolve o cenário
que a minha retina
teima em apagar.

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autora.
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