Leva-me, amor, a este
mar
de ondas mornas e
discretas,
onde os sentimentos se
mesclam
e oscilam entre o mais
tranqüilo suspiro
e o mais tresloucado
gemido.
Leva-me para além
do que eu possa ver e
tocar,
onde a razão me faça
vencida,
e a alma, desfalecida,
conheça a bênção dos
ventos,
o cheiro das
tempestades
e a fúria dos
vendavais.
Leva-me
ao delta do
insondável,
à confluência dos
inverossímeis,
aos jardins negros de
Netuno,
aos confins do
intangível,
para que eu me guie
pela luz da certeza do
impossível
e me faça tua cúmplice
neste destino mais que
meritório,
no vale das mais
sublimes ousadias,
onde o limite das
minhas resistências
seja devorado
pela força das tuas
convicções.
Leva-me, amor,
pouco antes que a
noite desça
e as estrelas se
tornem rivais
neste meu momento de
torpor.
Leva-me, amor!
SP,30/06/2006
00:50 minutos