A Nilson Matos
(um coração sem fronteiras)
Cleide Canton
 

Quando, do eu mais profundo,
um grito faz eco no mundo,
não imagina o seu alcance.
Talvez se perca nas nuvens em paredes
ou pare no balanço das redes,
onde um coração liberto
de todos os deveres,
resolve descansar...
 

SP, 15/10/2005
12:00 horas
 
 
Ao Mestre, com carinho...
Mestre é aquele que,
sem imposição alguma,
se faz respeitar.
Se for preciso dizer-se Mestre,
não se é.
Nilson Matos foi.
 

BRINCANDO COM RIMAS

(Nosso último trabalho)
 
CLEIDE - - NILSON

É com razão que hoje digo:
Quero-te bem, mestre amigo.
És dono do meu respeito.
Se às vezes me atrapalho
E te dou muito trabalho
jamais me deixas sem jeito.
 
Como deixar-te sem jeito
Se mereces meu respeito
Meu carinho e terno abrigo?
Que pena! Estás tão distante
Pois queria nesse instante
Ninar-te no peito amigo!
 
A distância não importa
Meu coração abre a porta
Para um colinho tão terno.
Aceito o dengo gostoso
Do poeta carinhoso
no momento em que hiberno .
 
Não existe neste mundo
Sentimento mais profundo
Do que sadia amizade
Ela é feita de carinho
Iluminando o caminho
Gerando felicidade
 
Realmente , Professor
Isto sim é que é amor
Como sempre tens razão
Entre amigos de verdade
Sempre há cumplicidade
Carinho e dedicação.
 
Quanta verdade, querida!
Amizade, nesta vida
Parece ser coisa rara
Cada qual quer só direito
Está faltando respeito!
E o dever, minha cara?
 
O dever, meu caro amigo
Talvez se encontre escondido
Na falta de educação.
Hoje a palavra amizade
Não vale nem a metade
Do que tínhamos, então.
 
Outra verdade, querida!
Cada qual pensa na vida
Querendo levar vantagem
Será culpa do sistema?
Liberdade virou tema
De logro e de sacanagem!
 
É o jeitinho brasileiro
Sabido no mundo inteiro
Orgulho de muita gente.
O sistema somos nós!
Não calemos nossa voz
por um Brasil mais decente.
 
Interessante, querida!
Sociedade é concebida
Por elite dominante
Nós somos trabalhadores
Explorados, sofredores
Sem opção relevante
 
Conheço-me lutadora
Muitos anos professora
De tanto ainda eu me valho
E lhe digo com certeza
Que não existe riqueza
Advinda do trabalho.
 
Na verdade não conheço
Mercadoria sem preço
Nem rico trabalhador
Mas conheço milionário
Paga um mísero salário
Mas posa de salvador
 
Quanto a isso não discuto
Mas lhe digo qu'inda luto
Com as armas que disponho.
Não quero mundo de rico
Nem pobre pagando mico
Humanização proponho. 
 
Tua proposta é bem quista
Mas não há capitalista
Que com ela não se ofenda
Pois o lucro é que compensa
E não há quem lhe convença
De repartir rica renda
 
Repartir só não adianta
Pois pobreza não espanta
e nem rico vira pobre.
Hoje reparto meu pão
e amanhã o meu irmão
só teve um dia de nobre.
 
Repartir o pão não basta
Pois o rico muito gasta
Com a renda acumulada
O que produz mais pobreza
É permitir que a riqueza
Permaneça concentrada
 
Dê a três homens agora
E os mande mundo afora
O mesmo valor em real.
Amanhã retornarão
Cada qual com seu quinhão
Como sempre, desigual.
 
Pois, tocaste na ferida!
A renda não repartida
Por poucos acumulada
É fruto desse sistema
Que gera miséria extrema
Para aqueles que têm nada
 
É por isso que lhe digo
Repartir ouro é perigo
Se tirar de quem não tem.
O rico mais rico fica
A classe média abdica
Fica mais pobre também.
 
 
 
 
 

 

 

Página editada por Cleide Canton em 28 de outubro de 2005.

 

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