HOJE ME CALO
Cleide Canton
 
Calo em mim a ânsia da ousadia,
o cômico pecado da euforia,
a tempestade da lágrima sentida
e a garra na ação desmedida.
 
Calo em mim aquilo que não vingou
e a desenfreada alegria pelo que restou.
Calo a voz do vento que não traduzo
e o "modus vivendi" fora de uso.
 
Calo a voz da dor impertinente
e o tom de um acorde experiente.
Calo o desejo de cantar meu hino
e a visão do mundo que descortino.
 
Calo a juventude das minhas incertezas
e a altura das minhas fortalezas.
Calo a negligência das minhas crenças
e o inconformismo de tantas querenças.
 
Calo as verdades que tanto persigo
na incompreensão do ouvido amigo.
Calo o que busco e o que pressinto,
calo a voz a gritar que não minto.
 
Mas não calarão a pena que desliza,
a vontade que com o fim se harmoniza,
o brilho que sempre trarei no olhar
até que a morte me impeça de sonhar.
 
SP, 16/08/2005
11:40 horas
 
 
Midi:Concerto 21 - Mozart
Art: Cleide Canton

 

Honrando o que aprendi
com meu ídolo maior, meu pai,
que hoje estaria aniversariando.
 
 
 
 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 24 de agosto de 2005

 

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