FRIO
Cleide Canton
 
Lá fora
faz-se mais que presente
um frio que castiga.
Cá dentro
pensamentos indefinidos,
desejos reprimidos,
sorrisos pálidos
que não encontram razões de alegria.
Triste dia!
Não vejo as cores
mas ardem os meus bolores.
Não sinto o encolhimento
das minhas paredes
mas percebo
o cerceamento dos meus espaços.
Das lutas constantes, o cansaço.
Fugiu-me a beleza dos versos.
Amarelaram-se as folhas da vida.
Assim, perdida,
entre um amanhecer de desejos
e um anoitecer opaco e desfigurado
isolo-me
no canto dos esquecidos
querendo simplesmente desabar.
No entanto,
bem lá dentro de mim
descubro o grito indomável da vida
escondido pelo véu dos dissabores.
É mais forte que todos os desamores.
 
Choro, enfim...
 
SP, 12/08/2004
21:50 horas
 
 
 
CORAÇÃO INDÔMITO
 Sylvia Cohin
 
Cá dentro
pulsa um coração indômito
inda que vazio...
Cheio de anelos, buscando esteios...
resistindo aos seus receios,
ao tempo frio...
Insubordinada têmpera
persistente, mesmo calada,
teimosa, é pura rebeldia
procurando o fio da meada...
Resiste!
Defende com braveza sua última bastilha, 
foge ao cerco das pressões,
cala a alma que fervilha...
Busca apoio e encontra desalento,
nas fibras acuadas
do tíbio pensamento...
Insiste!
Alma altaneira, veste-se de coragem,
arma de quem resiste
sob golfadas da invernagem... 
Rasga os céus num grito horrendo
que do peito escapa em represália...
Assiste...
É a tristeza enfim morrendo,
sob o viço que brota
da Primavera que se espalha...
 
Salvo-me de mim. 
 
Bahia - 12.08.2004
00.49h

 

 
  
FORMATAÇÃO DE CLEIDE CANTON
 

 

Página editada por Cleide Canton em 12 de abril de 2006

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