FAZ UM ANO
Tito Olívio


Está fazendo um ano que te vi
E não tinham as aves emigrado,
Mas tu, porém, vestida de rubi,
Voaste para um sítio ignorado.
Quiseste emigrar e eu fiquei aqui,
Atónito, infeliz, desesperado.
As aves vão pró sul, mas sempre voltam,
Aqui, só meus poemas que se soltam.


Está fazendo um ano e teu amor
Perdeu-se nos confins do firmamento,
Esquecido talvez daquele ardor
Que punha em festival cada momento.
Em sonhos inda sinto o teu calor
E acordo a suspirar o meu lamento.
Imaginar-te quase não consigo
Na triste solidão do meu abrigo.


Está fazendo um ano e a saudade
Criou fundas raízes no quintal.
Tivesse eu um cavalo de verdade,
Montava lá no céu esse animal
E o meu vulto a brilhar na claridade
Pudesses vê-lo e eu ver-te afinal.
Sei que, sem ti, a vida não tem graça,
Mas vou só esperar… não sei que faça.

Faro, 19-07-2012 01h25
Tito Olívio



UM ANO, UM FATO
Cleide Canton


Por que não vens no teu cavalo alado
correr nas nuvens perto das estrelas
e, sem poeira, ainda que domado,
pudesse ele também levar-me a vê-las?
Por que não vens em noite sem pecado
se nem o vento tenta escurecê-las?
A madrugada é hoje o meu abrigo
e cobrirá teu sonho, meu amigo!


Está fazendo um ano e o teu viver
se esconde em entrelinhas do passado.
Que mais será preciso te dizer
que já não te contou um triste fado?
Carmim é minha cor e, sem querer,
ficou na tua lembrança devassado.
Então, corrijo o engano e visto azul
e tu me encontrarás assim, no Sul.


Está fazendo um ano, é bem verdade
que rumos diferentes nós trilhamos.
Quem sabe, muito além da eternidade
se encontrem paralelas que traçamos?
O tempo, agora, é apenas a saudade
revivendo outra vez o que sonhamos.
Nossa vida é o concreto do abstrato...
Renasce a cada fim de cada fato.


São Carlos, 30/07/2012
14:00 horas


 

 

ARTE FINAL CLEIDE CANTON
 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 13 de julho de 2013

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