FALA-ME DE AMOR
Cleide Canton
Fala-me de amor
numa explosão de versos
encadeados,
com requinte, desejos
desabrochados,
num tom macio, refrões
intermitentes.
Desperta-me os
sonhos dormentes.
Fala-me de amor
sem escolher ou esperar
momentos,
sem medo de expor os
sentimentos,
sem pausas, sem cortes,
sem censura.
Quero embarcar nessa
aventura.
Fala-me de amor,
jamais de amor doente ou
enjaulado,
preso nas redomas
tristes do passado,
coberto de bolores ou em
tons pastel.
Lindo é ver-te eterno
menestrel.
Fala-me de amor,
de magias, de devaneios,
de vôo aberto
no frio do Ártico ou no
calor do deserto,
em qualquer lugar deste
nosso planeta.
Quero olhar estrelas sem
luneta.
Fala-me de amor
sem mistérios, sem
rodeios, sem recatos,
sem pensar ou medir seus
próprios atos,
sem defesa, sem
aparatos, sem bloqueio.
Apenas este é o meu
anseio.
Fala-me de amor
antes que o inverno me
colha de surpresa,
cheguem ao final as
velas da minha mesa
e as chamas qu'inda
crepitam na lareira.
Teus versos, meu livro
de cabeceira.
SP, 21/05/2006
14:11 horas