Faça de
conta
Cleide
Canton
Se o dia amanheceu
nublado
e acabrunharam os sonhos da noite
anterior,
faça de conta que o
sol
saiu do céu para habitar o seu
peito.
Não olhe para fora, veja-se por
dentro.
Se não lhe foi dado o
merecido
ou se seu valor não foi por outro
reconhecido,
tente outra vez, grite mais
alto,
apenas para
você,
pois é de pouca importância o
aplauso.
O que conta
realmente
é a convicção dos seus próprios
valores,
é a média ponderada na sua visão das
cores,
é o seu conceito do certo ou errado,
do melhor ou
pior,
do feio ou
bonito,
do que se vai e do
que persiste.
Faça de conta que
aplauso não existe.
Se, no amor, a
sorte não lhe sorriu,
não some, aos
velhos, os novos dissabores.
Que lhe dê alegria
o fato de ter amado
pois, a
corresponder-lhe, ninguém é obrigado.
Não diga ao mundo,
em defesa própria,
que ninguém vai
amar
mais ou melhor que
você.
Os efeitos do seu
amor
só tem tamanho no peito
amado.
Ali ele pode ter
sido desvalorizado.
Aceite e faça de
conta que amou errado.
E que esse "faz de
conta"
não alongue demais
as suas asas
pois fértil é o
chão quando é escolhido,
reconhecido e
cultivado.
Azedo é o
limão
para quem gosta de
sorvê-lo
sem ser
adoçado.
Quando não tem
jeito,
faça de
conta...
SP,
05/09/2005
11:20
horas
Midi: Gracias a
la vida / Violeta Parra
Arte: Cleide
Canton
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