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ESPUMAS DO PASSADO
Cleide Canton Olho a tua cerveja cujas espumas transbordam e vagarosamente escorrem por todos os lados do copo, sujando a toalha da minha mesa. Sorris! Sequer te lembras de pedir desculpas. Entendo. És, na realidade, um copo demasiado cheio onde as abrangências dos teus quereres ultrapassam os limites dos teus espaços. Não percebes o acúmulo dos teus fracassos e não te incomodam as marcas que deixas para trás. Na sofreguidão do teu hoje, que vives como se o último dia fosse, esqueces-te das negruras do ontem e do luto que teus passos deixaram nos espaços que ousaste invadir. E ainda ousas sorrir! Mas, em ti, há o dedo acusador e dele não podes fugir. Não és diferente dos demais e dia chegará onde ouvirás o lamento dos teus próprios ais, sem respostas para o teu eu inquisidor, sem desculpas pelos teus desvios do amor e sem meio de destruir os joios que plantaste. Aí, então, terás que pedir perdão, sem público e sem aplausos, a ti mesmo. No palco não haverá coadjuvância e na platéia o eco não fará ressonância. Tomara que, na porta da saída, ainda encontres alguém a tua espera... SP, 31/08/2004 9:41 horas Use mas não abuse Respeite os Direitos Autorais
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Página editada por Cleide
Canton em 12/05/2005
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