ESCUTÂNCIAS
Luiz Poeta
 
Luiz Poeta ( sbacem-rj ) - Luiz Giberto de Barros
Às 13 h e 8 min do dia 29 de maio de 2005 do Rio de Janeiro



Quando quero te falar, nunca te grito;
Minha voz é o teu silêncio me escutando
Só te falo com o olhar com que te fito
Se evitas meu olhar, vais te evitando.

É assim, o meu sorriso mais aflito,
Sempre grita a dor aflita, que ao calar
Grita dentro de mim mesmo a dor que grita
Sem que possas, se me evitas, me escutar.

Na canção solta no ar, a voz levita
E é na voz que a canção quer se soltar;
Se a canção se faz com a voz, que é tão bendita,
É na voz que a canção vai flutuar.

Só quem pode ver além da voz do olhar
É que pode compreender qualquer escrita
A palavra pode apenas registrar
O silêncio, mas o olhar é que mais grita.

O amor detona a dor que o dinamita
Quando a flor da emoção se despetala
E se a dor vem da atitude mais restrita,
O amor espalha pétalas na sala.

É assim, mesmo com a força que a embala,
Toda dor de um coração sempre é finita
Porque quando a voz do amor também se cala
Dá lugar a outra voz... bem mais bonita.



 
LEVITÂNCIAS
Cleide Canton
 

Pra o irmão de alma, Luiz Poeta,
tentando acompanhar seus lindos versos
que soaram aos meus ouvidos como uma melodia...
SP, 29/05/2005 22:30 horas
 

 
Quando penso em ouvir-te, na distância,
e o silêncio de faz som em tal momento,
meu cantar vai de encontro à levitância
destes versos que me chegam em lamento.
 
 Se escondes em sussurros dor aflita,
se não gritas em verdade o que magoa,
vou buscar nas entrelinhas a desdita
e expulsar de um coração o que destoa.
 
 Solto a voz num cantar sem pretensão
em Fá Maior com acordes dissonantes.
Então flutuam versos meus sem intenção
que não seja ser beleza em instantes.
 
 Se entendes as palavras que se agitam,
se registram o que delas se traduz,
é porque lá no fundo não conflitam
mil desejos se um apenas te seduz.
 
 A velha mágoa de um amor que foi embora,
como veio, de repente vai morrendo.
Mas os versos correm soltos, mundo afora,
em olhares que não mais estão nos vendo.
 
 E levitam nossos versos em canção
refletindo o mesmo amor em outro amar.
E se a eles dedicarem atenção
mais bonito se fará nosso cantar.
 
 
 
 
 

 

Página editada por Cleide Canton em 09 de abril de 2006

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