ESCUTA-ME
Cleide Canton
Escuta-me!
Dá-me um pouco da tua atenção!
Sei que minha voz em apelos
está perdida na tua canção
como sei que meus versos brandos
nada dizem ao teu coração.
Mas...
Escuta-me!
Há razões que se confundem
no poço da amargura
como águas lamacentas
de um rio na embocadura.
Há retas em matas fechadas
e curvas tomadas por flores,
há guerras na palavra bem dita
bem como paz nos rancores,
há fumaça no fogo que apaga
e tristeza atrás de um sorriso...
Há embaçado na vidraça
que nos leva ao paraíso.
Escuta-me!
Apenas te alerto para o perigo
e não crês no que digo.
Não resolvo os teus problemas,
não percebes meus dilemas.
Atenta estou as tuas mudanças
ao desabrochar de novas esperanças.
Não discuto o amor que te dedico
nem o que, por ti, abdico.
Quero-te homem de verdade
embora não participe da tua realidade.
Quero-te firme na tua jornada
pois sabes bem, meu filho,
que se para ti o mundo começa,
para mim resta pouco mais que nada.
SP, 31/10/2004
13:50 horas
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designer Ana Amélia Donádio/Romantic Home
Página editada em 15/11/2004