ESCONDERAM O AMOR
Cleide Canton
Por onde
andará o amor verdadeiro,
aquele
cheio de verdades,
cujas
ausências forçadas
eram de
perfumes impregnadas,
e cada
volta um presente único?
Por onde
andará
aquele
momento eterno
em que as
promessas do altar,
eram
cumpridas sem sacrifícios
porque
conscientes,
onde o
respeito era valor,
o
companheirismo uma constante,
a
decência um motivo de orgulho,
a
confiança fincada
em
atitudes fiéis,
o ciúme
apenas um tempero?
Alguém
começou a escondê-lo por aí
e muitos
outros gostaram da idéia,
amparados
pelas tão sábias palavras
dos
doutos entendidos
que
sempre incentivaram
a busca
do melhor
em outro
lugar,
a
satisfação plena do "eu"
contra
tudo e contra todos,
como se o
importante fosse realmente
o que se
recebe, não o que se dá...
A forma
se sobrepôs ao conteúdo,
o matiz
tomou o lugar da cor,
o prazer
sobrepujou o amor.
Pobre ser
humano,
tão
senhor de si,
perdido
nesse mar de intransigências,
correndo
em círculos,
procurando a verdade
que está
tão visível,
tão nua,
tão
palpável,
buscando
sempre a novidade,
corolário
vitorioso de suas eternas fugas.
Tolos e
inconseqüentes,
esgotam-se num hoje de risos
onde o
prazer é efêmero,
sem se
dar conta
que a
verdadeira alegria
é a que
decorre do prazer
que se
eterniza,
do
encontro e não da busca,
do
perene, não do fugaz.
E assim,
covardemente,
fogem das
verdades claras
para se
embrenharem nos escuros
que,
aparentemente,
apresentam-se
como
visões celestiais,
em nada
sendo mais
que o
inferno camuflado.
Por onde
anda o amor?
Se o
acharem,
devolvam-me, por favor!
SP,
16/03/2006
17:20
horas