Onde está o homem
que colhia flores dos
jardins
para me ofertar,
que fazia odes ao meu
olhar,
que beijava a minha mão,
que enchia de amores
o meu coração?
Onde está esse homem?
Escondido nos temores
ou na dúvida dos seus
próprios atos,
temeroso de ser chamado
tolo,
desconfiado dos sonhos que
tenho,
dos objetivos a que me
proponho,
das minhas mãos que
aplaudem virtudes,
que lutam pelos valores da
raça,
que cantam sonhos com
graça
e que se unem numa prece
por todo aquele que
padece?
Onde está esse homem?
Encolhido estrategicamente
do meu perdão,
da força da minha verdade,
do desconforto que lhe
causa
a minha piedade?
Onde está esse homem?
Envolvido nos cascalhos do
poder,
perpetuando o semblante
paternalístico
corroído pelo egoísmo,
coberto pelo musgo da
negligência,
trincado e ressecado
pelos resultados da fúria
que seu próprio terremoto
acarretou?
Onde está esse homem
empedrecido nos seus
próprios gritos,
ignorando o poder do amor
que a um simples toque
lhe devolveria o valor?
Esquecido...
Destruído...
Ainda sem rumo!
SP, 24/09/2006
18:10 horas