EMPEDRECIDO
Cleide Canton
 
 
Onde está o homem
que colhia flores dos jardins
para me ofertar,
que fazia odes ao meu olhar,
que beijava a minha mão,
que enchia de amores
o meu coração?
 
Onde está esse homem?
Escondido nos temores
ou na dúvida dos seus próprios atos,
temeroso de ser chamado tolo,
desconfiado dos sonhos que tenho,
dos objetivos a que me proponho,
das minhas mãos que aplaudem virtudes,
que lutam pelos valores da raça,
que cantam sonhos com graça
e que se unem numa prece
por todo aquele que padece?
 
Onde está esse homem?
Encolhido estrategicamente
do meu perdão,
da força da minha verdade,
do desconforto que lhe causa
a minha piedade?
 
Onde está esse homem?
Envolvido nos cascalhos do poder,
perpetuando o semblante paternalístico
corroído pelo egoísmo,
coberto pelo musgo da negligência,
trincado e ressecado
pelos resultados da fúria
que seu próprio terremoto acarretou?
 
Onde está esse homem
empedrecido nos seus próprios gritos,
ignorando o poder do amor
que a um simples toque
lhe devolveria o valor?
Esquecido...
Destruído...
Ainda sem rumo!
 
SP, 24/09/2006
18:10 horas
 
 FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 
 
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Página editada por Cleide Canton em 14/03/2007

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